terça-feira, 11 de março de 2014

INTERNACIONAL EM QUATRO DÉCADAS

 Jari Litmanen: a serviço de seu país em quatro décadas




Nos dias de hoje é cada vez mais improvável um jogador manter o alto nível ao ponto de ser convocado para a sua seleção nacional por 5, 10 ou 15 anos. E quando chegam a mais de 15 e até 20 ou mais anos? Aí sim vira um fato digno de nota. Poucos foram os que ultrapassaram tais números, mas nenhum outro conseguiu o feito do finlandês da foto acima.

Este jogador é Jari Litmanen, ex-meiocampista do Ajax, Liverpool e Barcelona e que ganhou quase tudo o que o um jogador profissional sonha disputar. O ex-atleta, afora os incríveis 21 anos de serviços prestados à sua seleção, é o único da história do futebol até hoje que detém a marca de atuar internacionalmente em quatro décadas distintas.

Nascido em Lahti, capital da região de Päijänne Tavastia na Finlândia, em 20 de fevereiro de 1971, a bola já estava no DNA do então garoto, pois seus pais eram jogadores profissionais de futebol no país. Seu pai, Olavi Litmanen, foi um meia de sucesso no Reipas Lahti e da seleção da Finlândia nos anos 60 e 70. Sua mãe, Liisa, também era futebolista do Reipas Lahti - atuava de líbero no time feminino nos anos 70 e também foi bem sucedida. Ou seja, "filho de peixe, peixinho é" como diz o conhecido ditado popular.

Tanto que aos 6 anos Litmanen já dava seus primeiros chutes no clube que revelou seus pais, o Reipas. Foram vários anos nas categorias de base sempre enchendo os olhos dos treinadores e olheiros com sua habilidade rara para um país com pouca expressão no futebol. Sua estreia como profissional se deu em 1987 na Liga Finlandesa. Mesmo com todo seu talento, o novato por pouco não começou sua carreira de forma melancólica, já que seu time terminou a competição em 10º lugar - uma acima dos rebaixados KePS Kemi e Koparit Kuopio.

Depois de 13 anos entre base e profissional no Reipas Lahti sua condição de grande jogador já merecia vôos mais altos, apesar de não ter conquistado nenhum título com o clube. Tanto que em 1991 assinou contrato com o HJK, maior time da Finlândia. Porém, sua relação com os azuis da capital durou apenas uma temporada em sua primeira passagem, mas de muito sucesso com seus gols e assistências, apesar do modesto 5º lugar da equipe na liga nacional. O MyPa foi o próximo destino de Litmanen, onde conseguiu seu primeiro título como jogador profissional em 1992 com a Copa da Finlândia.

Nesta decisão da Copa contra o FF Jaro, inclusive, havia um olheiro do poderoso Ajax de Amsterdã observando o então jovem e talentoso camisa 10 da equipe da cidade de Kouvola. Resultado final: 2 a 0 para Litmanen e companhia e um gol do astro finlandês que convenceu o holandês a contratar o jogador.

Apesar das ótimas recomendações, Jari Litmanen chegou ao Godenzonen para atuar entre os reservas - o treinador era o polêmico Louis Van Gaal. Entretanto, o meiocampista começou a ganhar seu espaço substituindo o ídolo local Dennis Bergkamp que sofreu uma contusão. O jogador não perdeu a oportunidade e agradou o técnico, que passou a utilizá-lo muitas vezes no time titular.

Com a saída de Bergkamp para a Internazionale de Milão em 1993, Litmanen ganhou definitivamente o posto de titular e não demorou para se tornar o principal jogador da equipe de Van Gaal nas próximas temporadas.



"Litti" na sua fase áurea com o Ajax




Jari Litmanen não só herdou a idolatria da torcida de Bergkamp como também sua camisa 10 e fez jus à mítica do número às costas. Retribuiu a confiança e expectativas de Van Gaal sendo artilheiro da Liga Holandesa na temporada 1993/94 com 26 gols. Não só ajudou o clube da capital a faturar o título nacional como foi eleito o jogador do ano no país.

Litti, como ficou conhecido, foi peça chave no tricampeonato holandês entre 1993 e 1996 e na conquista da Liga dos Campeões e do Mundial de Clubes em 1995. O meia cravou seu nome na história nesta ocasião tornando-se o primeiro jogador da Finlândia a ser campeão continental e mundial de futebol. Ainda ficou em 3º lugar na eleição do melhor jogador do mundo naquele mesmo ano.

Os anos passavam-se e a contribuição de Litmanen para o Ajax só crescia com seus números. Entretanto, um vilão viria começar a atrapalhar a trajetória do jogador: as constantes contusões. Não à toa também ficou conhecido como Homem de vidro tamanha sua facilidade de contrair lesões. Sua primeira passagem pelo Ajax terminou em 1999 com a ida de Louis Van Gaal para o Barcelona, que aproveitou a viagem e levou na bagagem o talentoso finlandês junto com outros holandeses como Bogarde, Kluivert, Ronald e Frank de Boer, Cocu e Reiseger. Foram 136 gols em 7 anos em Amsterdã, sendo 26 deles em competições europeias.

No Barcelona Jari Litmanen passou muito longe de reeditar as atuações genais dos tempos de Ajax, muito por conta das recorrentes contusões. Foram pouco mais de 20 jogos, apenas 3 gols em dois anos na Catalunha e nenhuma conquista. Com a saída de Van Gaal e a chegada de Llorenç Serra Ferrer no comando técnico dos Blaugranas em 2001 acabou definitivamente a estada do meiocampista no Campo Nou.

O caminho de Litmanen depois da Espanha foi a Inglaterra para atuar pelo Liverpool. Em Anfield Road chegou a ter boas atuações e aumentar sua galeria de troféus como a Liga Europa, a Supercopa da Europa e a FA Cup. Contudo, novamente o fantasma das contusões fazia uma marcação implacável no jogador, que ficou de fora em diversas ocasiões de partidas dos Reds. Desta forma clube e jogador acharam por bem acabar a relação em 2002 após uma temporada e incríveis cinco títulos pelo clube inglês.

Já diz o ditado que "o bom filho à casa torna", e eis que Jari Litmanen voltou a vestir a camisa alvirrubra do Ajax em 2002. A Holanda sempre foi o refúgio das grandes atuações do meia finlandês, tanto que foi fundamental para a excelente campanha do time na Liga dos Campeões na temporada 2002/03, quando chegou às quartas de finais, até voltar a sofrer com as insistentes lesões que o impediam de atuar no seu costumeiro alto nível. Por conta de sua passagem mais constante no departamento médico do que no campo de jogo, não teve seu contrato renovado em 2004. Assim Litmanen resolveu voltar para sua terra natal.

Voltando para a Finlândia, Litmanen foi recebido como um verdadeiro rei pela torcida do FC Lahti, clube oriundo do Reipas, que fundiu-se com o FC Kuusysi em 1996 para criar o novo clube. Tamanha a reverência que o jogador recebeu a alcunha de Kuningas Jari Litmanen, ou rei na língua finlandesa.

Após um ano no FC Lahti sua carreira começou a declinar em clubes de menor expressão na Europa como Hansa Rostock da Alemanha, Malmö FF da Suécia, Fulham da Inglaterra, retornando ao Lahti e, finalmente, encerrando a sua brilhante carreira aos 40 anos no HJK de Helsinque em 2011. Neste último conquistou o seu único título da liga finlandesa.



Camisa de Litmanen exposta no Museu do Esporte da Finlândia




Mas foi na carreira internacional que Litmanen chegou ao seu grande marco. Por jogar numa seleção com pouquíssima tradição no futebol ficou alijado de grandes competições como Eurocopa e Copa do Mundo. Tal dificuldade também pode ser observada em grandes jogadores como o galês Ryan Giggs, o liberiano George Weah, o norte-irlandês George Best, entre outros. Ainda assim conseguiu entrar para a história com a camisa da seleção da Finlândia.

Sua trajetória com os Huuhkajat (corujas, como é conhecida a seleção finlandesa) durou 21 anos como já citado. Porém, a diferença é que o período compreendeu-se entre 1989 a 2010 que o torna o único jogador da história a atuar por sua equipe nacional em quatro décadas diferentes. 

Sua estreia se deu com apenas 18 anos em outubro de 1989 contra Trinidad Tobago num jogo amistoso. Apesar de seu grande talento o primeiro gol só saiu quase dois anos depois numa partida diante de Malta. Em 1996 assumiu a braçadeira de capitão da equipe e só veio largá-la quando a deixou em 2010. Sua marca histórica de quatro décadas diferentes defendendo a Finlândia foi alcançada em 19 de janeiro de 2010 na derrota por 2 a 0 para a Coréia do Sul em jogo amistoso. Sua última atuação, e último gol, pela seleção aconteceu na goleada por 8 a 0 contra San Marino em 17 de novembro do mesmo ano pelas eliminatórias da Eurocopa 2012. Nesta mesma partida chegou a outra marca: o de jogador mais velho da Finlândia e da história da fase qualificatória para o torneio continental a balançar as redes.

Ao todo pela Finlândia foram 32 gols em 137 jogos que o colocam como o maior artilheiro e jogador que mais vestiu a camisa finlandesa em todos os tempos.

Abaixo, dados e estatísticas do craque finlandês que reinou absoluto nos gramados durante quatro diferentes décadas.


* Nome: Jari Olavi Litmanen

* Apelidos: Litti, Kuningas

* Nascimento: 20 de fevereiro de 1971 em Lahti/FIN

* Posição: Meia-atacante

* Clubes (10): Reipas Lahti (1987 a 1990), HJK Helsinki (1991 e 2011), MyPa (1992), Ajax/HOL (1992 a 1999 e 2002 a 2004), Barcelona/ESP (1999 a 2001), Liverpool/ING (2001 a 2002), FC Lahti (2004 e 2008 a 2010), Hansa Rostock/ALE (2005), Malmö/SUE (2005 a 2007) e Fulham/ING (2008)

* Títulos (18): Copa da Finlândia (1992 e 2011), Campeonato Holandês (1993/94, 1994/95, 1995/96 e 1997/98), KNVB Cup (1992/93, 1997/98 e 1998/99), Liga dos Campeões da Europa (1994/95), Supercopa da Europa (1995 e 2001), Mundial Interclubes (1995), Copa da UEFA (2000/01), FA Cup (2000/01), Copa da Liga Inglesa (2000/01), FA Community Shield (2001), Campeonato Finlandês (2011)

* Seleção Finlandesa: 32 gols em 137 partidas entre 1989 e 2010

* Principais honras pessoais: Jogador finlandês do ano (1990, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 e 2000), Jogador do ano na Holanda (1993), Artilheiro do Campeonato Holandês (1993/94) e Artilheiro da Liga dos Campeões da Europa (1995/96)



Fotos 1 e 3: Autor desconhecido
Foto 2: Fred Ernst/AP

domingo, 5 de janeiro de 2014

O ADEUS AO PANTERA NEGRA




Eusébio, o Pantera Negra: maior nome do futebol português




O futebol mundial perdeu neste domingo, dia 05, mais um de seus geniais artistas. Morreu em Lisboa, vítima de uma parada cardiorrespiratória aos 71 anos, o ex-atacante português Eusébio, mais conhecido como Pantera Negra, ídolo máximo do Benfica e da seleção lusa. Fez história ao liderar o alvirrubro lisboeta ao título europeu em 1961/62 e Portugal ao honroso 3º lugar na Copa do Mundo 1966, quando foi seu artilheiro com 9 gols.

Eusébio da Silva Ferreira é natural de Moçambique, nascido a 25 de janeiro de 1942 em Lourenço Marques, hoje Maputo, então capital da colônia portuguesa na África. Como a maioria dos garotos africanos, Eusébio gostava de jogar bola com seus amigos pelos campos de sua cidade. Tanto que em meados dos anos 50 o grupo de colegas formou o clube Brasileiros, em homenagem à seleção vice-campeã mundial de 1950.

O talento do atacante era latente e chamou a atenção de algumas pessoas ligadas ao futebol profissional de Moçambique. Tanto que foi levado para testes no Desportivo de Lourenço Marques, clube que era uma espécie de filial do Benfica de Portugal e que tinha em seu histórico a revelação para o mundo do meia Mário Coluna, ídolo português nos anos 50 e 60 e que, futuramente faria uma grande parceria nos gramados com Eusébio.

Contudo, a comissão técnica do Desportivo não se interessou pelo futebol do jovem jogador e o dispensou após a temporada de treinos. Eusébio então foi levado ao rival Sporting para mais testes e logo encantou os olheiros do time, trazendo o então promissor garoto para suas categorias de base em 1957.

Sua performance dentro de campo já demonstrava todo seu potencial para ser um gênio da bola. Tanto que um observador da poderosa Juventus de Turim já queria levá-lo para a Itália ainda em 1957. Entretanto, sua mãe Elisa Anissabeni não permitiu a sua ida para a Europa naquela ocasião.

Eusébio atuava tanto no time de baixo quanto no principal e assim ajudou o Sporting a conquistar o campeonato de Moçambique no ano de 1960, seu primeiro título dos vários que viria a conquistar como jogador de futebol. No clube foram impressionantes 77 gols e 43 jogos.

Outra vez o futebol brasileiro entraria na vida do atacante moçambicano: depois de observar as suas atuações durante uma excursão ao país, o então treinador da Ferroviária de Araraquara Bauer (ex-craque do São Paulo e da seleção brasileira convidou Eusébio para jogar no São Paulo, ideia refutada pelo atleta.

Quem teve a imensa sorte de contar com o futebol do futuro craque foi o Benfica de Portugal, clube de infância de Eusébio e onde jogava seu ídolo Coluna. Porém, sua contratação pelos Águias foi bastante conturbada, tendo em vista o Sporting de Lourenço Marques ser uma espécie de filial do homônimo português e maior rival dos Encarnados do Estádio da Luz. Daí o alviverde de Lisboa pretendia levar o jogador como júnior e os benfiquistas apelaram para a sua mãe com dinheiro a fim de que o jogador vestisse a camisa vermelha - e assim aconteceu. Tal episódio criou um mal estar entre os dois adversários da capital.

Com a camisa do Benfica Eusébio atuou por 15 anos e consagrou-se de vez. O fã ultrapassou o ídolo (Mário Coluna) e tornou-se o maior jogador da história do clube e do país em todos os tempos. O mínimo para quem durante todo esse período marcou 638 gols em 614 jogos - média impressionante de mais de um por partida - e faturou quase 20 títulos entre Liga e Copa Portuguesa e torneios europeus. Além de inúmeros prêmios individuais de artilharia (entre elas 3 de Copa dos Campeões da Europa) e melhor jogador de torneios.

Em 1975 deixou o clube que o elevou aos maiores patamares que um atleta do futebol pode levar e, aos 33 anos, o Pantera Negra foi se aventurar em solo norte-americano para atuar por Boston Minutemen e Toronto Metros, com uma rápida passagem pelo mexicano Monterrey entre os dois. No clube canadense teve sua última grande atuação na carreira marcando 18 gols na Liga dos Estados Unidos e faturando o título. Em 1976 voltou para Portugal e assinou com o modesto Beira-Mar. Mas aos 34 anos o físico já não ajudava o craque de chute certeiro e habilidade descomunal. Muitas lesões começavam a acompanhá-lo e prejudicavam suas exibições. 

Em 1977 retornou para a América do Norte e até 1980 ainda vestiu a camisa do Las Vegas Quicksilvers, do New Jersey Americans e do Buffalo Stallions, com uma rápida volta ao futebol de seu país na segunda divisão com o União de Tomar. Aos 38 anos o Pantera Negra encerrava sua brilhante passagem pelos gramados e deixava um enorme legado para o esporte.

Pela seleção de Portugal, Eusébio (que por ter nascido em colônia lusitana tinha direito à cidadania portuguesa) marcou época em sua passagem de 12 anos entre 1961 e 1973. Estreou na seleção das Quinas diante de Luxemburgo na surpreendente derrota por 4 a 2 no dia 8 de outubro em partida válida pelas Eliminatórias para a Copa de 1962. E já no seu jogo inicial deixou sua marca.

Mas foi no Mundial de 1966 que Eusébio entraria de vez para a galeria dos grande gênios do futebol. Na Inglaterra o Pantera só não fez chover e liderou Portugal rumo ao 3º lugar logo na estreia do país na competição. De quebra foi o artilheiro do torneio com 9 gols e fez parte da seleção dos melhores jogadores da Copa.

Depois de pendurar as chuteiras, Eusébio sempre esteve ligado ao Benfica e à seleção portuguesa, equipes que foram marcantes em sua rica trajetória como jogador. Uma estátua em tamanho natural foi erguida no Estádio da Luz, mostrando a idolatria do povo lusitano ao seu craque maior. Porém, sua saúde começou a sofrer com problemas vasculares a partir de 2007, quando deu entrada em um hospital em Lisboa. Desde então a hipertensão e o colesterol alto passaram a ser os grandes adversários do craque lusitano.

Em 2012, durante a Eurocopa na Ucrânia e na Polônia sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e foi socorrido para um hospital em Poznań, na Polônia. Recuperado, passou a ter cuidados intensivos desde então. 

Mas na madrugada do dia 04 para 05 de janeiro de 2014 uma parada cardíaca enquanto dormia em sua residência em Lisboa finalmente parou o atacante que tanto ultrapassava as barreiras que seus adversários defendiam nos gramados com tanta facilidade.

Eusébio receberá todas as homenagens possíveis durante seu funeral, que começará no Estádio da Luz ainda neste domingo, e que foi o palco principal de suas grandes façanhas com a bola nos pés. O Pantera Negra foi e é inspiração não só para os portugueses, mas para todos os torcedores ao redor do mundo. Um exemplo de caráter e grande dedicação ao esporte mais popular do planeta. Foi-se o homem, mas seu legado é imortal.

Abaixo, dados e estatísticas do maior jogador do futebol português - e um dos maiores da história.


* Nome: Eusébio da Silva Ferreira

* Apelido: Pantera Negra

* Nascimento: 25/01/1942 em Lourenço Marques/Moçambique (atual Maputo)

* Posição: atacante

* Clubes (10): Sporting de Lourenço Marques/MOC (1957 a 1960), Benfica (1960 a 1975), Boston Minutemen/EUA (1975), Monterrey/MEX (1975), Toronto-Metros/CAN (1975 a 1976), Beira-Mar (1976), Las Vegas Quicksilvers/EUA (1976 a 1977), União de Tomar (1977 a 1978), New Jersy Americans/EUA (1978 a 1979) e Buffalo Stallions/EUA (1980)

* Títulos (19): Campeonato Moçambicano (1960), Campeonato Português (1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1970/71, 1971/72, 1972/73 e 1974/75), Taça de Portugal (1961/62, 1963/64, 1968/69, 1969/70, 1971/72), Copa dos Campeões da Europa (1961/62) e Liga norte-americana (1976)

* Seleção portuguesa: 41 gols em 64 jogos entre 1961 e 1973

* Principais honras individuais: Jogador do ano na Europa (1965), Chuteira de Ouro da Europa (1968 e 1973), Bola de ouro da Copa do Mundo (1966) e "FIFA 100" (lista dos 125 maiores jogadores de todos os tempos promovida pela FIFA e escolhida por Pelé, o maior jogador da história)




Fotos 1 e 2: Autores desconhecidos
Foto 3: P. Fernandes

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL!

Feliz Natal a todos!




Gostaria de desejar a todos os vocês um Natal repleto de felicidades, alegrias, saúde e realizações! E pedindo ao bom velhinho para nos dar cada vez mais disposição para continuar levando até vocês um pouco da história do futebol, nosso esporte paixão mundial.

Obrigado a todos os portugueses, italianos, franceses, ingleses, alemães, noruegueses, belgas, holandeses, húngaros, gregos, romenos, poloneses, usbeques, russos, bósnios, islandeses, finlandeses, espanhóis, suíços, turcos, catarianos, angolanos, australianos, indonésios, árabes, canadenses, norte-americanos, peruanos, uruguaios, chilenos argentinos e muitos outros mundo a fora, mas principalmente os brasileiros que fizeram este espaço ter mais de 222 mil acessos em pouco mais de 4 anos de existência. Agradeço de coração àqueles que colaboram, deixam comentários, enviam e-mails e até mesmo àqueles que apenas fazem uma visita anonimamente. É por causa de vocês que tenho motivação de continuar colocando para todos o pouco que conheço do futebol e o que gosto de fazer.

Feliz Natal / Frohe Weihnachten / Merry Christmas / Feliz Navidad / عيد ميلاد سعيد / Hauskaa joulua / Buon Natale / Καλά Χριστούγεννα / Joyeux Noël / Счастливого Рождества /  ハッピークリスマス / Crăciun fericit / 메리 크리스마스 / Gelukkig kerstfeest / God jul / Boldog karácsony / Wesołych Świąt / Честита Коледа / Veselé Vánoce / Щасливого Різдва / खुश क्रिसमस / חג מולד שמח / Mutlu Noel!



Carlos Henrique
Editor - Futebol: uma história para contar



Foto: Autor desconhecido

domingo, 8 de dezembro de 2013

DO ÁPICE AO FUNDO DO POÇO EM APENAS UMA TEMPORADA


Flu (1) pode se juntar ao Milan (2) como campeão num ano e rebaixado no outro




O tradicional Fluminense pode entrar num rol nada agradável neste domingo na última rodada do Brasileiro. O tricolor das Laranjeiras pode se tornar o 60º clube da história do futebol a ser rebaixado para a segunda divisão nacional apenas uma temporada após ter sido campeão. 

Dentre os atuais 59 constam times da grandeza de LDU/EQU, Universidad Católica/CHL, Manchester City/ING, Olympique de Marselha/FRA e Milan/ITA. Entretanto, esses dois últimos caíram por motivos extracampo. 

A equipe inglesa caiu após ser campeão de uma forma curiosa na temporada (1937/38): com saldo positivo de gols, marcando 80 vezes - mais até que o então campeão Arsenal. Entretanto o número de derrotas culminou com a ida à segundona.

Já Olympique (1994) e Milan (1980) foram campeões na temporada anterior e rebaixados na seguinte  em suas respectivas ligas devido a escândalos de manipulação de resultados, que custou até a participação dos franceses da decisão do Mundial Interclubes de 1993.

A Juventus de Turim chegou a ser campeã italiana em 2004/2005 e  na temporada seguinte disputar a Serie B. Contudo, o título da Vecchia Signora foi retirado pela Federação Italiana.

A Noruega e a Suécia são os países em que mais esse tipo de situação aconteceu: 4 vezes. Curiosamente a Finlândia e a Dinamarca aparecem logo a seguir com 3 ao lado de mais alguns outros pelo planeta, fazendo até parece que tal situação estranha é uma especialidade nórdica.

Editado (às 21h10 do dia 08/12/2013): O Fluminense tornou-se o 60º clube a ser rebaixado uma temporada depois de ter sido campeão nacional após a última rodada do Campeonato Brasileiro neste domingo.

Abaixo, a lista dos 60 times que foram do céu ao inferno no intervalo de apenas uma temporada. Entre parênteses, na ordem, os anos em que foram campeões e rebaixados logo a seguir. 


* Alemanha

- 1.FC Nürnberg (1968 - 1969)


* Argélia

- Entente Sportive de Sétif (1987 - 1988)
- USM El Harrach (1998 - 1999)


* Andorra

- Constel-lació Esportiva (2000 - 2000)
Obs.: Rebaixado na mesma temporada por envolvimento em irregularidades financeiras.


* Aruba

- San Luis Deportivo (1984 - 1985)


* Áustria

- FC Tirol Innsbruck (2002 - 2002)
Obs.: Rebaixado pela federação por não ter suas contas aprovadas.


* Brasil

- Fluminense (2012 - 2013)


* Bolívia

- Universitario de La Paz (1969 - 1970)
- Jorge Wilstermann (Apertura 2010 - Clausura 2010)


* Camarões

- Aigle Nkongsamba (1994 - 1995)


* Chile

- Universidad Católica (1954 - 1955)


* Costa Rica

- El Carmen FC (1961 - 1961)
Obs.: Rebaixado na mesma temporada após conflitos com outros clubes e a federação, que formularam a disputa de um "playoff" após o campeonato nacional e que terminou com o atual campeão ficando na última colocação.


* Dinamarca

- KB (1950 - 1951)
- Hvidovre (1973 - 1974)
- Herfølge BK (2000 - 2001)


* Equador

- LDU (1999 - 2000)


* Finlândia

- Ilves-Kissat (1950 - 1951)
- TPV (1994 - 1995)
- Haka Valkeakoski (1995 - 1996)


* França

- Olympique Marseille (1993 - 1994)
Obs.: Rebaixado após escândalos de manipulação de resultados.


* Guiné

- AS Kaloum Star (2007 - 2008)
Obs.: Rebaixado após dois WO's no campeonato por problemas contratuais com patrocinadores.


* Guiné-Bissau

- UDIB (2003 - 2004)
Obs.: Rebaixado após WO's nas duas primeiras rodadas da temporada
- Atlético Bissorã (2011 - 2013)
Obs.: Não houve competição em 2012.


* Holanda

- RC Heemstede (1953 - 1954)


* Ilhas Faroe

- B71 (1989 - 1990)


* Indonésia

- PSIS (1999 - 2000)
- Petrokimia Putra (2002 -2003)
- Persebaya (2004 - 2005)
Obs.: Rebaixado após se recusar a disputar a última partida do playoff em 2005.


* Inglaterra

- Manchester City (1937 - 1938)


* Irlanda

- Shelbourne (2006 - 2006)
Obs.: Rebaixado pela federação por não ter as contas aprovadas.


* Israel

- Hapoel Kfar-Saba (1982 - 1983)
- Hapoel Tel-Aviv (1988 - 1989)


* Itália

- Milan (1979 - 1980)
Obs.: Rebaixado após escândalos de manipulação de resultados.


* Jamaica

- Violet Kickers (1996 - 1997)


* Luxemburgo

- Union Luxembourg (1927 - 1928)


* Macau

- Monte Carlo (2008 - 2009)
Obs.: Rebaixado após divergências com a federação e com o Macau FC.


* Malta

- Rabat Ajax (1986 - 1987)


* México

- Marte (1954 - 1955)


* Nigéria

- Stationery Stores (1992 - 1993)
Obs.: Rebaixado após vários WO's nos jogos fora de casa.
- Shooting Stars (1998 - 1999)
- Bayelsa United (2009 - 2010)


* Noruega

- Freidig (1948 - 1949)
- Fram (1950 -1951)
- SK Brann (1963 - 1964)
- Lyn (1968 - 1969)


* País de Gales

- Barry Town (2003 - 2004)
- Rhyl (2009 - 2010)
Obs.: Rebaixado após não conseguir a licença para a disputa da nova liga criada.


* Polônia

- Ogniwo Bytom (1954 - 1955)
Obs: Rebaixado após fundir-se com o Szombierki Bytom e mudar seu nome para Polonia Bytom.


* República do Congo

- Saint Michel de Ouenzé (2010 - 2011)


* República Dominicana

- Deportivo Pantoja (2001 - 2002)
- Baninter/Jarabacoa (2003 - 2005)
Obs.: Não houve competição em 2004.


* Rússia (então União Soviética)

- CDSA Moscou (1951 - 1952)
Obs.: Rebaixado pela federação após a pífia participação soviéticas nas Olimpíadas de 1952, no qual o time era a base da seleção de futebol.


* Santa Lúcia

- Roots Alley Ballers (2009 - 2010)


* San Marino

- La Fiorita (1990 - 1991)


* Suécia

- Helsingborgs IF (1934 - 1935)
- GAIS (1954 - 1955)
- Djurgårdens IF (1959 - 1960)
- IFK Göteborg (1969 - 1970)


* Uzbequistão

- MHSK Tashkent (1997 - 1998)


* Vietnã

- Cang Saigon (2002 - 2003)





Foto 1: André Durão - Globoesporte.com
Foto 2: Autor desconhecido

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

OS 150 ANOS DE UMA PAIXÃO MUNDIAL

O livro original contendo as primeiras regras oficiais do futebol




Há 150 anos, mais exatamente no dia 26/10/1863, era dado - literalmente - o pontapé inicial para uma paixão que viria atrair multidões planeta a fora. Foi num pub em Londres, no Freemasons Arms Tavern, localizado em Great Queen Street, que 11 representantes de clubes amadores da capital inglesa se reuniram para redigir as regras oficiais do futebol e fundar a FA - a Football Association. Depois de um século e meio de vida pouquíssimas mudanças ocorreram nas regras e até hoje elas regem a nossa maior paixão esportiva.


Estiveram presentes à histórica reunião no bar londrino pessoas ligadas aos seguintes times: Barnes, Civil Service, Crusaders, Crystal Palace, Forest of Leytonstone (que posteriormente seria rebatizado como Wanderers), N.N. Club, Blackheath, Kensington School, Perceval House, Surbiton e Blackheath Proprietary School. O Charterhouse foi convidado para participar, mas seu representante declinou do chamado. A maioria desses clubes não existe mais ou apenas atua no rugby.

Vale salientar que o futebol já era praticado de forma amadora antes de 1863 em solo britânico, mas ainda sem uma regra oficial. O primeiro esboço de norma surgiu em 1848 nos pátios da Universidade de Cambridge. Outro surgiu em Nottingham em 1850. E ambos foram os alicerces para essa regra final criada pelos ingleses.

Na primeira foto, a edição original do livro de regras escrito naquela noite de 26 de outubro de 1863 escrito por Ebenezer Cobb Morley, que viria a ser o segundo presidente da FA 8 anos depois de sua criação.

A primeira partida da história sob as regras oficiais foi entre Barnes e Richmond, que não estava presente na reunião de fundação da FA. O placar foi de zero a zero no estádio de Mortlake em 19 de dezembro do mesmo ano.


Futebol no século XIX na Inglaterra



Desde então o futebol ganhou adeptos e admiradores até se tornar esse colosso que é hoje em dia. Além de um esporte apaixonante, virou um ótimo negócio que gera lucros cada vez mais exorbitantes. Mas a aprovação das regras, apenas, não era o bastante. Havia a necessidade de se distribuir cartilhas informativas nos clubes, nas escolas, nas livrarias e bancas de jornal, através de livros de regras. E essas regras foram sendo levemente modificadas, e novos manuais passaram a ocupar o lugar das primitivas instruções.

Em 1868 instituiu-se a figura do juiz. Em 1878, um ano depois de se adotar o travessão de madeira (do mesmo comprimento das portas dos salões da universidade de Cambridge), surgiu o apito, já que até então era na força do grito que o juiz anunciava suas decisões em campo. Em 1882, Inglaterra, Escócia, Pais de Gales e Irlanda fundaram a International Board, que até hoje regula as leis do jogo no mundo inteiro, já como órgão assessor da FIFA. 

Houve uma revisão total das regras em 1891, quando apareceram as redes nas balizas, para que não houvesse dúvidas quando da marcação do gol, e foi oficializado o pênalti - a falta dentro da grande área. Em 1896, cresce a autoridade do árbitro, que deixa de ser um simples tira-teima, e passa a se guiar pelo que mandam as regras.

Nos últimos anos do século fixam-se o numero de jogadores em onze, as dimensões do campo, o tamanho da bola e a duração da partida. Os limites das áreas datam de 1901, as leis do impedimento começaram a partir de 1907, definindo-se de vez em 1924. Uma nova revisão foi feita em todo o texto em 1938. A popularização se fez rápida e regularmente, com o apoio dos jornais, cartazes exibidos nas ruas, folhetos distribuídos em comércios, bares e teatros. Uma vez uniformizado, codificado e organizado, o futebol não tardaria a se transformar no mais popular e universal de todos os esportes. 

E hoje o futebol é o que é há 150 anos: uma paixão mundial!



Foto: Adrian Roebuck
Imagem: Newberry Library - Chicago 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

FUTEBOL TAMBÉM TEM SEUS MOMENTOS DE TRISTEZA


Fim de semana de futebol que quase termina em tragédia pelo Brasil




Nem sempre o futebol é só alegria para torcedores e profissionais que trabalham no meio, seja dentro dos próprios clubes, prestam serviços (como policiais, vendedores, etc.) ou na imprensa. No fim de semana que passou dois fatos lamentáveis aconteceram no que deveria ser apenas mais uma rodada do esporte mais popular do país.

De um lado o poderoso Palmeiras, amargando a Série B em 2013, enfrentando o menos tradicional ABC em Natal no estádio Frasqueirão (1ª foto). O que se viu foi um "ensardinhamento", se é que podemos falar assim, de torcedores no portão de entrada C do estádio. As imagens não mentem e só comprovam que houve falta de bom senso e de organização do evento, colocando em risco o real motivo de existência do futebol: o torcedor. Jovens e adultos correndo perigo de esmagamento contra o alambrado do estádio, relembrando a tragédia de Hillsborough na Inglaterra, em 1989, em que quase 100 pessoas morreram ora asfixiadas, ora esmagadas por superlotação. Enquanto isso dirigentes do time natalense, Polícia Militar e demais envolvidos diretamente com a organização do evento ficam jogando a culpa uns nos outros.

Do outro, pela Série A, o maior clássico do estado do Paraná: Atlético e Coritiba - o "Atletiba". O que também era pra ser uma disputa apenas na bola passou para as arquibancadas - e de maneira nada saudável. Uma briga entre torcidas no estádio da Vila Capanema (2ª foto) provocou vários feridos, inclusive com queda de alambrado e policiais atirando em direção às pessoas com balas de borracha. Por pouco outra tragédia não acontecia nos gramados brasileiros e alguma providência deve ser tomada para se encontrar os culpados pelos graves ocorridos.

Dessa forma como se pode popularizar o esporte no país? Crianças ficam traumatizadas e adultos não vão mais por temerem outras confusões parecidas com riscos até de morte. E olha que ambas as cidades são sedes da próxima Copa do Mundo. É assim que os gestores do nosso futebol querem fazer a "maior Copa da história"? Muito complicado.

Aproveitando o mote relembro uma postagem deste blog de fevereiro de 2012 que tratou das maiores tragédias da história do futebol mundial. E vejam que algumas são bem parecidas com os tristes acontecimentos do sábado e do domingo aqui no Brasil - que por sorte não entraram nas péssimas estatísticas que serão mostradas a seguir.


NEM SEMPRE O FUTEBOL TRAZ ALEGRIAS

Postagem de 04/02/2012



Infelizmente nem sempre o futebol traz alegria e emoção ao torcedor. Assim como qualquer outra atividade na vida tem seus momentos de tristeza e amargura, como o que vimos na última semana em Port Said, no Egito, onde 74 pessoas morreram e outras centenas saíram feridas após uma partida pela liga local entre Al-Masry e Al-Ahly.

A história mostra, ao lado de triunfos e da euforia de equipes e torcidas vitoriosas, que os problemas dentro e fora dos estádios são bem antigos. Sejam por má gestão da organização do evento, estruturas precárias, pela fúria desenfreada de vândalos travestidos de torcedores ou, simplesmente, por ineficiência da segurança no local. E o fato lamentável ocorrido em solo egípcio foi mais um a entrar nas estatísticas do lado triste que o futebol tem – e que pelo visto vai demorar muito a ficar sem solução, não sei se por negligência das autoridades ou por falta de civilidade de quem frequenta esses locais.

O primeiro desastre oficialmente registrado em estádios ocorreu em 1902 na Escócia, no Ibrox Stadium. Algum tempo depois tivemos os desastres em Burnden Park, na Inglaterra, na década de 40, no Heysel Stadium em Bruxelas, na Bélgica, e em Hillsborough em Sheffield, na Inglaterra nos anos 80, na Guatemala em 1996, pelo continente africano e até aqui no Brasil – mais precisamente na Bahia – na década passada, entre outros.

Ou seja, o esporte já testemunhou em mais de um século diversos problemas desta natureza em ambientes que deveriam se restringir à prática desportiva. Sempre é assunto recorrente a (in)segurança do público nos estádios de futebol. Por isso mesmo o blog vai relembrar algumas das principais tragédias ocorridas na história do futebol por ordem cronológica.


Ibrox Stadium (Glasgow/ESC) – 05 de abril de 1902


Vista da arquibancada que desabou



No decorrer de uma partida entre a seleção escocesa e a inglesa um lance de arquibancadas recém inauguradas do estádio desabou, ferindo 517 pessoas e matando outras 25. O motivo foi o colapso da estrutura de madeira, que alicerçada por vigas de aço, após um intenso temporal que caíra sobre a cidade na noite anterior ao jogo, que foi suspenso no início do segundo tempo e reiniciado no dia 03 de maio no estádio Villa Park em Birmingham na Inglaterra. Tal evento motivou as federações de futebol de todo o Reino Unido a abolir o uso das vigas metálicas nas arquibancadas e substituí-las por estruturas de concreto.



Burnden Park (Bolton/ING) – 09 de março de 1946


Mortos e feridos após tumultuo em Bolton



Durante as quartas-de-final da FA Cup entre Bolton Wanderers e Stoke City milhares de pessoas entraram no estádio sem pagar ingresso, causando superlotação. Cerca de 85 mil espectadores se amontoaram num espaço projetado para receber 70 mil e o resultado foi o desabamento de uma das arquibancadas, que resultou na morte de 33 pessoas e em aproximadamente 500 feridos. Até então era a maior tragédia ocorrida em gramados ingleses em todos os tempos. Por incrível que pareça a partida foi interrompida após o acontecimento e recomeçou depois de algum tempo – terminou empatada em 0 a 0.



Estádio Nacional (Lima/PER) – 24 de maio de 1964


Lima 1964: maior tragédia dentro de um estádio da história do futebol



As seleções do Peru e da Argentina duelavam por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio e os donos da casa jogavam por um simples empate para se classificarem. Entretanto, os argentinos abriram o placar, mas perto do fim da partida os peruanos empataram para delírio da torcida presente. Só que o árbitro da partida invalidou o gol, minando completamente as chances peruanas de irem ao Japão. Os torcedores se revoltaram e começaram a atirar tijolos e pedras para o gramado e a polícia local revidou com gás lacrimogêneo. Dois portões do estádio estavam trancados onde um segurança ficava no local. O tumultuo foi aumentando e com as duas saídas fechadas as pessoas começaram a ser esmagadas e asfixiadas com o amontoamento de gente em pânico. Foi a maior tragédia da história do futebol dentro de um estádio: 318 mortos e cerca de 500 feridos. 



Ibrox Stadium (Glasgow/ESC) – 02 de janeiro de 1971


Vítimas da segunda tragédia em Ibrox sendo socorridas



Rangers e Celtics faziam o Old Firm, tradicional clássico escocês cuja rivalidade entre as torcidas é uma das maiores do planeta (assunto já retratado aqui no blog) – se não a maior – e requer todos os cuidados, quando os Bhoyz fizeram 1 a 0 aos 44 minutos da etapa final. Com a iminente derrota vários torcedores dos Gers começaram a se deslocar para a saída do estádio, entretanto, nos acréscimos, o atacante Colin Stein empatou a partida, provocando o retorno em massa de muitas pessoas que já tinham se deslocado para comemorar o gol da igualdade. O resultado foi um tumultuo generalizado na escadaria número 13 do Ibrox, que culminou com o esmagamento e morte de 66 pessoas – entre elas várias crianças – por asfixia e deixando outras 150 feridas.



Valley Parade (Bradford/ING) – 11 de maio de 1985


Pânico após incêndio em Bradford



Após conquistar o retorno à segunda divisão inglesa naquela temporada, o Bradford City jogava contra o Lincoln City pelas rodadas finais da “Terceirona”. O que era para ser um jogo festivo para os torcedores virou tragédia após supostamente uma ponta de cigarro atirada por um torcedor embaixo das arquibancadas principais, feitas de madeira, ter dado início a um incêndio de grandes proporções. O jogo foi suspenso e o saldo final foi de 56 mortes e 256 pessoas feridas.



Heysel Stadium (Bruxelas/BEL) – 29 de maio de 1985


Tragédia de Heysel: a mais conhecida



Certamente a tragédia dentro de estádio mais conhecida da história, pois envolveu uma final de Copa dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões) entre Juventus/ITA e Liverpool/ING. Nos dias que antecediam a decisão as autoridades belgas, já sabedoras das possíveis conseqüências do encontro das duas torcidas, anunciaram uma série de medidas a fim de se evitar o confronto: revista em todos os espectadores na entrada para o jogo, proibição de venda de bebidas alcoólicas nas cercanias do estádio e um destacamento de 1500 policiais para garantir a segurança. Contudo, alguns bares próximos ignoraram as recomendações e serviram normalmente os torcedores. Fora do Heysel os distúrbios já começaram entre os Hooligans (os baderneiros) de ambas as equipes ao ponto de uma joalheria na vizinhança ter sido saqueada. Havia um planejamento para uma grande divisão das torcidas nas arquibancadas, entretanto, o que se viu foi a tribuna norte apinhada de torcedores dos dois clubes, separados apenas por uma simples grade de alguns policiais. Os britânicos começaram a provocação e o tumultuo ganhou proporções sem controle. Os confrontos começaram ali mesmo entre ingleses e italianos, tanto que a grade que separavam os rivais cedeu à pressão. Vários torcedores da Juventus foram agredidos pelos ingleses, inclusive com barras de ferro. Tamanho o pânico na torcida que o muro também cedeu e levou junto mais algumas dezenas de pessoas. O resultado do ocorrido foi a culpa do incidente imputada aos ingleses, um balanço final de 38 mortos e um número não confirmado de feridos. A polícia não deteve ninguém, mas os clubes ingleses sofreram uma dura punição: banimento das competições européias por um período de 5 anos. O jogo, relegado ao segundo plano, terminou 1 a 0 para a Vecchia Signora.



Hillsborough (Sheffield/ING) – 15 de abril de 1989


Hillsborough: mais um caso de superlotação no estádio



Mais uma vez uma FA Cup via uma tragédia dentro de um campo de futebol. Desta vez valendo pelas semifinais, Liverpool e Nottingham Forest iam se confrontar no campo do Sheffield Wednesday FC, que tinha capacidade para quase 40 mil espectadores. A polícia local dividiu as torcidas nas arquibancadas e abriu um portão para a saída, que resultou num tumultuo generalizado com torcedores do Liverpool entrando por ele, causando uma superlotação do setor Lepping Lane Ends reservado aos fãs dos Reds. A pessoas iam sendo esmagadas no alambrado que separava o público do gramado até que a estrutura cedeu à pressão. A partida foi cancelada. O saldo foi de 96 mortos e 766 feridos, configurando-se na maior tragédia em estádios britânicos da história.



Estádio Armand Césari (Bastia/FRA) – 05 de maio de 1992


Arquibancada feita de última hora destruída em Bastia



Bastia e Olympique de Marselha iam se enfrentar pela Copa da França e a diretoria dos donos da casa resolveram de última hora aumentar a capacidade do estádio em 50%, tendo em vista a importância do confronto. As autoridades locais aprovaram a nova estrutura sem nenhuma restrição. Momentos antes do jogo o novo setor já estava sendo tomado e não suportando o peso do público desabou matando 18 pessoas e ferindo aproximadamente outras 2300.



Estádio Mateo Flores (Cidade da Guatemala/GUA) – 16 de outubro de 1996


Avalanche humana na Guatemala



Guatemala e Costa Rica iam se enfrentar pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998 e o estádio estava com público bem acima de seus 30 mil lugares. O motivo foi o derramamento de ingressos falsos nas mãos de cambistas que desencadeou numa avalanche humana para dentro de campo. Vários torcedores foram esmagados e pisoteados e o balanço final da tragédia foi de 150 pessoas feridas e 83 mortas.



Ellis Park (Johanesburgo/AFS) – 11 de abril de 2001


Ellis Park: quase o dobro da capacidade máxima



Em outra grande rivalidade do futebol, Kaiser Chiefs e Orlando Pirates iam se enfrentar no Ellis Park e um grande público era esperado para o confronto. O estádio tinha capacidade para 60 mil pessoas, mas incrivelmente recebeu segundo relatos da época de 90 a 120 mil espectadores. A situação já era desconfortável para a torcida presente com o pouco espaço e só piorou quando os Pirates marcaram um gol. Vários torcedores dos Chiefs revoltados quiseram invadir o gramado e o que já era uma bomba relógio prestes a explodir foi à tona! O policiamento tentou reprimir os revoltosos lançando gás lacrimogêneo sobre os invasores, mas a o tumultuo só aumentou. Muitas pessoas foram pisoteadas na confusão – 43 morreram e cerca de 150 ficaram feridas.



Accra Sports Stadium (Accra/GAN) – 09 de maio de 2001


Incidente em Gana foi o maior da história do continente africano



Poucos dias depois da tragédia no Ellis Park foi a vez do futebol ganês viver momentos de terror dentro do estádio de futebol – e em mais um clássico local. Accra Hearts of Oaks e Asante Kotoko se enfrentavam para uma casa lotada e a partida terminou em 2 a 1 para os anfitriões. Indignada com o resultado, a torcida visitante começou um tumultuo nas arquibancadas e passou a arremessar assentos e garrafas de plásticos para o gramado. O policiamento local reagiu com gás lacrimogêneo e provocou pânico generalizado nas pessoas presentes, que tentaram fugir desordenadamente. Com os portões fechados vários torcedores se amontoaram, causando a morte de 127 pessoas por esmagamento e asfixia. Esta foi a maior tragédia dentro de um campo de futebol da história do futebol africano. O detalhe mais triste é que não havia mais equipe médica no estádio – eles haviam deixando o local minutos antes da confusão.



Fonte Nova (Salvador/BRA) – 25 de novembro de 2007


Salvador: estádio em péssimo estado de conservação



Em jogo válido pela fase final da Série C do Campeonato Brasileiro, Bahia e Vila Nova/GO se enfrentavam em campo e o jogo estava 0 a 0 para um público de cerca de 60 mil pessoas. Aos 43 minutos do 2º tempo uma parte das arquibancadas do estádio desabou matando 7 pessoas e ferindo 40. O laudo divulgado posteriormente constatou que o estado das estruturas da Fonte Nova era péssimo.



Port Said Stadium (Port Said/EGI) – 01 de fevereiro de 2012


Port Said: jogadores são alvos da ira dos revoltosos



Depois da vitória de 3 a 1 do anfitrião Al-Masry sobre o Al-Ahly vários torcedores do clube local invadiram o gramado e atacaram a torcida e os jogadores visitantes e a polícia com pedras, artefatos de fogo, facas, garrafas, pedaços de pau e até espadas. Os atletas fugiram para o vestiário. Milhares de revoltados transformaram o estádio em uma praça campal de guerra, que teve como saldo final 79 mortos e mais de 1000 feridos. As autoridades egípcias investigam o caso e abriram a possibilidade do motivo do confronto não ser apenas esportivos, mas também político, visto que o país recentemente passou por um sangrento processo de mudança no governo.



Foto 1: Augusto Gomes - G1/RN
Foto 2: Geraldo Bubniak - Fotoarena
Foto 3: Autor desconhecido
Foto 4: Merseyside Potters
Foto 5: TPS
Foto 6: Daily Record
Foto 7: Bradford Timeline
Foto 8: Daily Mail
Foto 9: Bleach Report
Fotos 10 e 11: TVXS
Foto 12: Odd Culture
Foto 13: Futura Press
Foto 14: Reuters