quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

NATURALIZAR-SE? NATURALMENTE!



Férenc Puskas e Deco: exemplos clássicos de naturalizados




Hoje em dia no futebol é bastante difícil aquele sentimento de amor à camisa que se veste. Tampouco o patriotismo é colocado em primeiro lugar. Na atualidade o que vale mais é o poderio financeiro ou a oportunidade de ter reconhecimento internacional. É a tal globalização.

Falo isso porque acabei de ler uma reportagem sobre um goleiro brasileiro que se naturalizou vietnamita para poder atuar pela seleção nacional. Com todo o respeito ao Vietnã, mas deve ter havido uma assombrosa compensação para que a escolha por atuar como “natural” do país asiático. Entretanto não tiro a razão desses jogadores, que no mundo do futebol atual se vêem quase que obrigados a aceitarem os convites das federações onde atuam no momento.

O caso a que me refiro é o do goleiro brasileiro Fábio dos Santos, do Dong Tam Long An, clube da primeira divisão que o arqueiro defendeu nos últimos cinco anos. No Brasil, Fábio atuou por times de pequena expressão. Assim, ele entra para a história como o primeiro estrangeiro a obter cidadania vietnamita. Por lá atuam mais de 100 jogadores de outros países, em sua maioria africanos e tailandeses, divididos nos 14 clubes da V-League.

O fenômeno das naturalizações não é coisa recente, nos anos 50 e 60 vários atletas trocaram de país, nos quais os mais famosos foram os húngaros Ladislao Kubala e Férenc Puskas (o primeiro chegou a atuar em três seleções – Hungria, Tchecoslováquia e Espanha), o argentino Di Stéfano (que também atuou por 3 seleções – Argentina, Colômbia e Espanha), o brasileiro Altafini “Mazzola”, o argentino Raimondo Orsi, o uruguaio Alcides Gigghia, entre outros. Alguns possuíam realmente descendência em outros países como Itália e Espanha, mas a maioria se juntava às suas “novas pátrias” motivados por dinheiro ou status. Entretanto os jogadores citados já haviam atuado por suas nações de origem antes de vestirem outros uniformes nacionais.

Poucos dias antes do início da Copa de 1962, realizada no Chile, a FIFA decidiu proibir as naturalizações de jogadores que já haviam atuado por uma seleção anteriormente. Essa resolução entraria em vigor a partir do Mundial de 1966, que seria realizado na Inglaterra, para evitar as intensas trocas de seleções entre uma Copa e outra, o que poderia descaracterizar totalmente uma equipe em um curto espaço de tempo. E eles tinham razão: quem é mais conhecido, o húngaro ou o espanhol Puskas? O uruguaio ou o italiano Gigghia? E assim por diante.

Em dias recentes as naturalizações têm crescido enormemente, mais especificamente no Brasil. Os casos mais conhecidos são o do moçambicano Eusébio, que brilhou por Portugal em 1966; os dos brasileiros Alexandre Guimarães, que jogou pela Costa Rica em 1990, Deco, que atuou por Portugal em 2006, Alex Santos, que participou da Copa de 2006 pelo Japão, assim como Wagner Lopes, que defendeu a seleção nipônica em 2002, Marcos Senna, naturalizado espanhol para defender a Fúria no Mundial da Alemanha, e Zinha, meia que esteve com o México também em terras germânicas; o nigeriano Emanuel Olisadebe, que entrou em campo pela seleção polonesa em 2002, o ganês Gerald Asamoah, que envergou as cores alemãs em 2006; e o argentino Mauro Camoranesi, que foi campeão do mundo com a Itália.

Há aqueles jogadores que prefiriram atuar em uma seleção de qualidade obscura, mas que disputasse algum torneio internacional, a ter que ser mais um simples coadjuvante no futebol de seu país, como são os casos dos brasileiros Aguinaldo Braga (zagueiro - Macedônia), o já citado Fábio Santos (goleiro - Vietnã), Martin Ferreira (zagueiro - Ilhas Färoe), Francileudo dos Santos (atacante - Tunísia) e Egmar Gonçalves (atacante – Cingapura). Também existem atletas que não exitaram em trocar seus países – com pouca tradição no futebol – por seleções mais renomadas, como são os casos do ganês Marcel Desailly, do neo-caledonês Christian Karembeu, do congolês Cláude Makélélé, do basco Bixente Lizarazu, do senegalês Patrick Viera (todos se naturalizaram franceses), do canadense Owen Hargreaves (Inglaterra), do bósnio Zlatan Ibrahimovic (Suécia), entre muitos outros.

Se fosse citar todos os jogadores que já trocaram de lar, certamente não haveria espaço no blog para a publicação. Com a tal da globalização ficou muito mais fácil o intercâmbio de jogadores mundo a fora, o que muito motivou à ocorrência desse fenômeno.



Foto 1: Federação Húngara de Futebol
Foto 2: Abalonpodo2.com

2 comentários:

Niqui disse...

Os casos de Owen Hargreaves e Zlatan Ibrahimovic não podem ser colocados na mesma penas que os demais. Hargreaves é filho de pai inglês e mãe alemã nascido no Canadá, onde morou durante a infância. Foi aprender a jogar futebol na Inglaterra e por ela jogou as duas últimas copas. Convenhamos que poderia ter atuado por três seleções pois tem as três cidadanias. Escolheu aquela com a qual mais se identificou. Ibrahimovic, igualmente, nasceu sueco de pais bósnios. Tem duas cidadanias e joga pelo país que o acolheu e a seus pais. isso acontece tb com o goleiro australiano Kalac, do Milan. Convenhamos que se Pelé tivesse nascido paraguaio filho de brasileiros tb poderia jogar por um dos dois países sem problema algum. O critério da FIFA é correto.

Nuno Kopio disse...

O caso k você referiu do Eusébio não está correcto , visto k Moçambique só se tornou independente a partir de 1974 e até lá todos os jogadores oriundos de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Principe e Tmor lorosae eram cidadãos portugueses. Logo não se pode considerar como naturalizado, e como o Eusébio existiam muitos mais na seleção portuguesa em 1966, Coluna, Hilário, Águas entre muitos mais.
Existem Actualmente para alem do Deco outro jogadores não nascidos em Portugal a actuar pela Selecção ou que já actuaram, Petit do Benfica nascido em França de pais Portugueses, Helder angolano de nascimento, Dimas sul africano de pais portugueses, Bowsigna e Makukula Congoleses mas sempre viveram em Portugal, Pepe do Real Madrid (com aluma polemica mas k acho ser uma mais valia) Rolando do Belenenses mas fez toda a formção para o futebol em Portugal. Manuel da Costa um dos jogadores da nova geração nascido em França e k nem portuguÊs falava quando foi chamado pela primeira vez á selecção como DAniel Fernandes goleiro do PAOK canadiano. ENtre muitos exemplos em todo o futebol mundial.

Penso que a grande questão é as naturalizações em que o jogador não possui qualquer relação com o pais em causa, quando o jogador tem pais do pais em causa ou nasceu lá de pais estrangeiros ou toda a vida viveu nesse pias e lá se tornou futebolista não condeno e até apoio, mas como no caso de alguns jogadores k são autenticos mercenários como os brasileiro k actuam pela seleção do Bahrain isso não concordo.