segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O RECORDE DE CONVOCAÇÕES

Astafjevs: mais um recorde batido na Europa





Nessa semana mais um dado entrou para o rol de números históricos do futebol. O meia Vitālijs Astafjevs, ao entrar em campo no amistoso da Letônia contra Honduras (vencido pelos hondurenhos por 2 a 1) em Tegucigalpa no último dia 14 de novembro, tornou-se o recordista europeu de participações com sua seleção com 158 convocações. O recorde anterior pertencia ao estoniano Martin Reim com 157 e que aposentou-se este ano da equipe nacional.

Astafjevs nasceu em Riga na data de 03 de abril de 1971 quando a atual capital letã ainda fazia parte da então União Soviética. Iniciou sua carreira no modesto Daugava Rīga de sua cidade natal aos 19 anos. Percebendo o potencial do jogador, o Skonto Rīga, um dos clubes mais tradicionais do país, o contratou na temporada 1992. Logo em seu ano de estréia levanta a taça de campeão nacional e da Copa. Em 1995 consegue alcançar a artilharia da LMT Virslīga, a primeira divisão da Letônia, com 19 gols. Sua qualidade apurada chamou a atenção do Austria Wien para onde se transferiu em 1996. Porém sua passagem pelo futebol austríaco não foi muito bem sucedida e em 1997 estava novamente atuando pelo Skonto Rīga.

Mais dois anos se passaram e novamente o futebol da Europa ocidental lhe convidava - agora para vestir a camisa do pequeno Bristol Rovers da segunda divisão inglesa. Desta vez teve atuações convincentes em 4 anos nos Piratas que lhe renderam um novo contrato na Áustria, na oportunidade para jogar pelo Admira Wacker em 2003. Novamente mais uma temporada apenas na Österreichische Fußball-Bundesliga, a divisão de elite austríaca, e estava de malas prontas para atuar na Rússia pelo Rubin Kazan. Em solo russo também permaneceu apenas por um ano para então retornar ao seu país para vestir pela terceira vez as cores do Skonto Rīga. Em 2009 atuou por 2 clubes: pelos rivais RFS/Olimps, também da capital letã, e FK Ventspils, da cidade de mesmo nome. Para a temporada 2010, que devido ao rigoroso inverno na região báltica os campeonatos terminam antes do fim do ano, Vitālijs Astafjevs, aos 38 anos de idade, novamente se juntará aos companheiros do Skonto. Em quase 20 anos de carreira foi escolhido como melhor jogador de seu país em 3 oportunidades: 1995, 1996 e 2007 (nesta aos 36 anos).

Pela seleção da Letônia, Astafjevs atua desde 1992, conforme já citado. Sua estréia se deu pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 diante da Dinamarca, então atual campeã européia. O jogo terminou empatado em 0 a 0, resultado bastante satisfatório para uma equipe que acabara de ser, digamos, "oficializada" após a dissolução do regime comunista e a consequente separação das repúblicas que cumpunham a antiga nação soviética. Ao todo são 158 jogos e 16 gols marcados. Apesar da idade avançada, o meia afirmou que ainda pretende ser aproveitado pelo selecionado até "quando sua condição física permitir".

Entretanto para o recorde mundial o meia letão ainda está um pouco distante. O atual dono da marca de recordista de convocações é o goleiro saudita Mohamed Al-Deayea, do Al-Hilal, com 181 partidas. Em seguida vem o zagueiro mexicano Claudio Suárez com 177. Astfjevs ocupa apenas a 9ª colocação entre os jogadores que mais representaram seus países na história do futebol. Como curiosidade o brasileiro Cafu é o 17º colocado com 147 atuações pela seleção canarinho.

Abaixo, a lista dos 10 atletas que mais vestiram a camisa de suas seleções e dados e estatísticas do novo recordista europeu de convocações Vitālijs Astafjevs.


* Nome: Vitālijs Astafjevs

* Nascimento: 03 de abril de 1971 em Riga/URSS (atual Letônia)

* Posição: meio-campo

* Clubes (8): Daugava Rīga (1990 a 1992), Skonto Rīga (1992 a 1996; 1997 a 1999; 2006 a 2008 e desde 2009), Austria Wien/AUT (1996 a 1997), Bristol Rovers/ING (1999 a 2003), Admira Wacker/AUT (2003 a 2004), Rubin Kazan/RUS (2004 a 2005), RFS/Olimps (2009) e FK Ventspils (2009)

* Títulos (13): Copa da Letônia (1992, 1995, 1997 e 1998), Campeonato Letão (1992/95 e 1997/99) e Copa Báltica (1993 e 1995)

* Seleção letã: 158 jogos e 16 gols desde 1992

* Conquistas pessoais (4): Artilheiro do Campeonato Letão (1995) e Jogador letão do ano (1995, 1996 e 2007)



LISTA DOS 10 MAIORES RECORDISTAS DE CONVOCAÇÕES PARA SELEÇÕES

1º Mohamed Al-Deayea/ASA - 181 vezes (1990 a 2006)
2º Claudio Suárez/MEX - 177 vezes (1992 a 2006)

3º Sami Al-Jaber/ASA - 169 vezes (1992 a 2006)

4º Adnan Al-Talyani/EAU - 164 vezes (1984 a 1997)

5º Cobi Jones/EUA - 164 vezes (1992 a 2004)

6º Hossam Hassan/EGI - 163 vezes (1985 a 2006)

7º Iván Hurtado/EQU - 160 vezes (desde 1992)

8º Ahmed Hassan/EGI - 158 vezes (desde 1995)

9º Vitālijs Astafjevs/LET - 158 vezes (desde 1992)

10º Martin Reim/EST - 157 vezes (1992 a 2009)





Escudo: arquivo pessoal
Foto: UEFA

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

MAIS VÍTIMAS DO FUTEBOL MODERNO

De Nigris e Saad: mais duas vítimas da "modernização" do esporte





Nos últimos dias o esporte se deparou mais uma vez com casos de morte entre seus praticantes profissionais. Houve o caso do falecimento do goleiro alemão Robert Enke, mas que não foi resultante de treinamentos excessivos ou durante uma partida de futebol - tratou-se de um suicídio.

Nesta semana os atacantes Antonio De Nigris, do Larisa da Grécia, e Salem Saad, do Al-Nassr dos Emirados Árabes Unidos, sofreram de mal súbito e vieram a perder a vida durante ou após treinamentos de suas respectivas equipes.

O mexicano Antonio De Nigris Guajardo, nascido na cidade de Monterrey/MEX, tinha 31 anos e desde o início desta temporada estava atuando pelo clube grego - teve também uma passagem frustrada pelo brasileiro Santos em 2006. Pela seleção do México foram 17 partidas e 4 gols entre 2001 e 2008. Faleceu de ataque cardíaco durante a madrugada em sua residência em Larisa, na Grécia. Há alguns meses o jogador havia sido alertado por médicos que seu coração possuía uma má formação genética. Porém o atleta ignorou o aviso e seguiu atuando por sua conta e risco que culminou em sua morte em 15 de novembro passado.

Já Saad tinha a mesma idade de De Nigris, 31 anos completados em 01 de julho. Nascido em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, começou sua carreira no Al-Shabab, atual campeão nacional, até se transferir para o rival Al-Nassr nesta temporada. Enquanto treinava no estádio Al Maktoum nesta quinta-feira (19/11) com sua equipe sofreu um colapso cardíaco que resultou em seu falecimento horas depois, apesar do rápido socorro e de ainda ter chegado com vida ao hospital mais próximo.

Em uma publicação de dezembro de 2007 este blog discutiu sobre os diversos casos de morte causados pelo excesso de carga física imposto pelo "futebol moderno" e relembrou os casos que ficaram mais conhecidos na história. Para acessá-la clique aqui.




Foto 1: ESPN Deportes
Foto 2: Site oficial do Al-Nassr Club

sábado, 14 de novembro de 2009

TODOS BRANCOS NA COPA DO MUNDO


All Whites: os "Todos Brancos" vão à África do Sul





Acabou há algumas horas em Wellington a partida final entre Nova Zelândia e Bahrein, válida pela repescagem da Oceania e da Ásia para a Copa do Mundo de 2010, com vitória dos neozelandeses por 1 a 0 - gol de Rory Fallon, jogador do Plymouth Argile da Inglaterra. Com o placar a seleção dona da casa carimbou seu passaporte para a África do Sul após 28 anos de ausência e tornou-se a 24ª equipe classificada para o torneio no próximo ano.

Vamos agora conhecer um pouco da história e relembrar a passagem dos Kiwis pela Copa de 1982?

A Nova Zelândia é uma das nações mais bonitas e de melhor qualidade de vida para seus habitantes no planeta. Possui clima temperado e está situada no sudoeste do Oceano Pacífico compreendendo duas principais ilhas (comumente chamadas de Ilha Norte e Ilha Sul). O país é notável por seu isolamento geográfico: está situado a cerca de 2000 km a sudeste de Austrália no mar da Tasmânia, e os seus vizinhos mais próximos são ao norte as Ilhas Fiji, a Nova Caledónia e Tonga. É uma democracia parlamentar independente, apesar de ser oficialmente uma monarquia constitucional, do qual o chefe de Estado titular é a rainha Elisabeth II da Inglaterra, que é representada pela Governadora-Geral Silvia Cartwright. Possui um dos mais altos índices de desenvolvimento humano (IDH) do mundo, tem uma economia forte e sólida baseada na indústria e sua moeda é o Dólar Neozelandês.

Entrando no assunto futebol associação local é uma das mais antigas do mundo, tendo iniciado suas atividades em 1891, e é uma das fundadoras da OFC - a Federação de Futebol da Oceania. Entretanto sua filiação à FIFA ocorreu apenas em 1948. Curiosamente o presidente da New Zealand Football, Frank van Hattum, foi um dos goleiros presentes na histórica participação neozelandesa na Copa da Espanha. Na sua história os All Whites ("Todos Brancos" em alusão ao seu uniforme predominantemente branco) apenas fizeram figuração em todos os torneios disputador - à exceção, óbvio, da Copa das Nações da Oceania, quando levaram o título em 4 ocasiões. Foram 3 Copas das Confederações (1999, 2003 e 2009) e uma Copa do Mundo (1982) e em todas as oportunidades sequer passaram da primeira fase. Tamanha a inexpressividade da equipe em torneios organizados pela FIFA apenas veio marcar seu primeiro ponto no empate de 0 a 0 com o Iraque neste ano na Copa das Confederações realizada na África do Sul - resultado esse intensamente comemorado pelos neozelandeses.

Muito dessa inexperiência e inferioridade técnica do futebol da seleção da Nova Zelândia se deve ao esmagador apoio do público ao rugby, o esporte mais popular do país. Com o All Blacks (também devido ao uniforme todo na cor preta da seleção de rugby) sim há grande experiência e conquistas no currículo da seleção, inclusive com título mundiais. Aliado a isso vale salientar que muitos dos atletas são semi-profissionais, ou seja, possuem outra ocupação afora o futebol. Entretanto alguns jogadores já começaram a atuar em centros futebolísticos mais avançados, como o atacante Chris Killen, que veste a camisa do escocês Celtic, o zagueiro Ryan Nielsen, do inglês Blackburn Rovers, e do já citado Rory Fallon, do também britânico Plymouth - todos apenas com alguma técnica e com muito a melhorar. Porém um atleta neozelandês se sobressaiu dentre todos esses: Wynton Rufer, ex-atacante que atuou no Norwich/ING, no Zürich/SUI, no Kiaserslautern/ALE e, principalmente, no Werder Bremen/ALE, onde atuou por 6 temporadas e marcou importantes gols. Rufer é considerado o maior jogador de futebol da história do país.

Desde a criação da OFC a Nova Zelândia duelava diretamente com a Austrália pela hegemonia do futebol no continente - frequentemente perdida para os rivais da terra dos cangurus. Com a inclusão dos australianos na AFC (Confederação Asiática de Futebol), os Brancos poderão enfim reinar absolutos na região, onde a maioria absoluta dos atletas são amadores.

Sua primeira partida internacional foi diante da eterna rival em 17 de junho de 1922 com vitória por 3 a 1. E sua primeira participação em um grande evento esportivo foi a Copa do Mundo da Espanha em 1982. Antes do torneio passou por uma maratona de jogos nas Eliminatóerias, com 9 vitórias em 15 jogos, incluindo a goleada de 13 a 0 sobre Ilhas Fiji (seu maior placar na história) e a partida final contra a China vencida por 2 a 1 (o regulamento previa cruzamento com seleções da Ásia na segunda fase). No Mundial a equipe ficou no Grupo 6 ao lado de Brasil, União Soviética e Escócia. Como era de se esperar foram 3 derrotas, com 12 gols sofridos e 2 marcados (na derrota por 5 a 2 para os escoceses). Apesar da campanha pífia, a experiência e a felicidade por estarem presentes na competição foram incalculáveis.

Depois de 28 anos os neozelandeses poderão sentir novamente o gostinho de disputarem uma Copa do Mundo. Daí quem sabe não poderão arregimentar mais experiência e mais intercâmbio no cenário futebolístico? E não só serem conhecidos mundialmente como os "Todos Brancos" que vão à Copa do Mundo ou por sua dança nativa Maori-Haka que executam (foto 2) antes de cada partida. (Clique aqui para ver uma exibição deste interessante ritual pela seleção sub-17 da Nova Zelândia)

Abaixo, dados e estatísticas do All Whites.


NEW ZEALAND FOOTBALL

* Fundação: 1891

* Presidente: Francesco van Hattum

* Treinador: Ricki Herbert

* Primeira partida: Nova Zelândia 3 X 1 Austrália, no dia 17 de junho de 1992 em Dunedin/NZE

* Títulos (6): Copa das Nações da OFC (1973, 1998, 2002 e 2008) e Copa Trans-Tasmânia (1983 e 1987)

* Participação em Copas do Mundo (2): 1982 e 2010

* Maior vitória: Nova Zelândia 13 X 0 Ilhas Fiji, no dia 16 de agosto de 1981, em Auckland/NZE

* Maior derrota: Nova Zelândia 0 X 10 Austrália, no dia 11 de julho de 1936, em Wellington/NZE

* Jogador que mais atuou: Ivan Vicelich (65 jogos)

* Maior artilheiro: Vaughan Coveny (28 gols)

* Principais jogadores: Wynton Rufer, Ivan Vicelich, Ryan Nielsen, Chris Killen, Vaughan Coveny, Ricki Herbert, Frank van Hattum e Steve Summer




Escudo: arquivo pessoal
Foto 1: Everyjoe

Foto 2: NZ History

sábado, 7 de novembro de 2009

MAIS UM HERÓI ESQUECIDO SE VAI...

Juvenal: mais um herói do futebol brasileiro morre injustamente esquecido




É muito chato fazer publicações sobre o falecimento de alguém que foi muito importante para o nosso futebol. Pior ainda quando essa pessoa foi totalmente relegada ao ostracismo de forma injusta e desrespeitosa. No dia 30 de outubro morreu em Salvador/BA o ex-zagueiro Juvenal, vice-campeão mundial na Copa de 1950 com a Seleção Brasileira de parada cardiorrespiratória em decorrência de complicações devido a uma artrose o joelho e dificuldades de locomoção prestes a completar 86 anos de vida. Era o último titular remanescente daquele episódio no Rio de Janeiro. Agora só restam vivos o ex-lateral Nilton Santos e o também zagueiro Nena, ambos reservas.

Juvenal Amarijo era gaúcho de Santa Vitória do Palmar, nascido em 27 de novembro de 1923. Iniciou sua carreira de zagueiro no início da década de 40, antes de completar 20 anos de idade, no Cruzeiro/MG. Ainda teve uma breve passagem pelo Brasil de Pelotas/RS entre 1945 e 1946. Defensor clássico e de muita categoria, Juvenal logo chamou atenção de outros grandes clubes do país. Após 5 anos no time mineiro assinou contrato com o Flamengo/RJ, clube pelo qual registrou grandes atuações que lhe valeram a convocação para a disputa da Copa do Mundo de 1950. Com os cariocas faturou 2 títulos em torneios não-oficiais na Guatemala.

O Mundial daquele ano praticamente todos já sabem da história: o Brasil era favorito ao título, era considerado também o melhor time e contava com o frenético apoio de sua torcida. E a chegada à final realmente fazia jus ao que preconizaram desde o início do torneio. Um Maracanã com quase 200 mil pessoas previa uma (esperada) vitória brasileira sobre os uruguaios, que chegaram como quem não queriam nada, de mansinho. Infelizmente a habilidade brasileira foi vencida pela conhecida garra, raça e valentia uruguaia apesar da superioridade técnica do time da casa durante quase todos os 90 minutos de partida. Alcides Ghiggia, avançado da Celeste Olímpica, tratou de calar o então maior estádio do mundo e tornar a carreira e a vida da grande maioria dos jogadores que cumpunham a Seleção àquela ocasião um verdadeiro calvário. Era o Maracanazzo.

Logo todos tentaram encontrar um culpado para o fiasco brasileiro. Flávio Costa, então treinador, foi um dos apontados por ter obrigado todos os atletas a acompanharem uma missa por 2 horas de pé na manhã do jogo. O goleiro do Vasco da Gama/RJ Barbosa também foi um dos acusados, se não o maior deles, por ter supostamente falhado no gol de Gigghia. Na minha opinião não vi nenhuma falha grotesca. Também tentaram culpar os chefes da delegação brasileira por causa da mudança da concentração antes da final do Joá para o estádio de São Janurário, de propriedade dos vascaínos. Enfim, nunca se chegará a um consenso.

Voltando ao assunto Juvenal, um dos poucos que não passou a vida crucificado pelo vice-campeonato em 1950, deixou o Flamengo em 1951 e foi contratado pelo Palmeiras/SP. No clube do Palestra Itália levou a Copa Rio (uma espécie de torneio com campeões nacionais da Europa e da América do Sul) no ano de sua chegada. Inclusive esta competição é pleiteada até hoje como um título mundial pelos palmeirenses, porém sem o devido reconhecimento por parte da FIFA (e eu concordo com tal decisão).

Em 1954 atuou pelo Bahia/BA, onde ajudou a conquistar dois títulos estaduais. Por fim, em 1958 assina contrato com o também baiano Ypiranga, no qual encerra sua carreira um ano mais tarde aos 36 anos. Desde então fixou residência em Jauá, na região metropolitana de Salvador, até seu falecimento.

Pela Seleção Brasileira, Juvenal atuou em apenas 11 ocasiões entre 1949 e 1950, sendo 6 delas na Copa do Mundo, sem marcar nenhum gol. Com o Brasil faturou duas taças: a Copa Oswaldo Cruz e a Copa Rocca, ambas em 1950.

No vídeo abaixo está a prova do descalabro com que a CBF e os clubes brasileiros tratam a maioria de seus ex-jogadores, muitas vezes até os que contribuiram firmemente para o crescimento do futebol brasileiro, como foi o caso de Juvenal. Na matéria veiculada no Esporte Espetacular da Rede Globo há 2 anos foi mostrada a triste situação vivida pelo ex-zagueiro, esquecido pela Confederação e pelos times por onde passou. Porém depois da veiculação da matéria na TV sobre o ex-jogador as direções do Brasil de Pelotas/RS e do Flamengo/RJ, além de muitos anônimos, sensibilizados com a precária situação de um dos nomes mais consagrados que vestiram as suas camisas, disponibilizaram-se a ajudar o ex-jogador em sua enfermidade. O mínimo que poderia ser feito, mas sem dúvida gestos nobres - mesmo que tardios - que merecem nosso elogio.



video


Este é o retrato do nosso futebol brasileiro para nossa infelicidade. Enquanto cartolas de equipes e dirigentes de entidades nadam em rios de dinheiro e quase nada (ou nada mesmo) fazem pelo desenvolvimento do nosso esporte, vítimas como Juvenal Amarijo, entre tantos outros país a fora, sofrem para ter ao menos um fim de vida digno da grande contribuição que deram pelo desporto. E é por causa destes grandes heróis que a CBF, com a Seleção Brasileira, e os clubes considerados "grandes" possuem o status, a imensa torcida e a grande influência nos bastidores futebolísticos.

Abaixo, dados e estatístiscas de Juvenal Amarijo, nosso bravo e heróico vice-campeão mundial de futebol. A ele todas as nossas reverências!


* Nome: Juvenal Amarijo

* Nascimento: 27 de novembro de 1923 em Santa Vitória do Palmar/RS

* Posição: zagueiro

* Clubes (6): Cruzeiro/MG (1943 a 1948), Brasil de Pelotas/RS (1945 a 1946), Flamengo/RJ (1949 a 1951), Palmeiras/SP (1951 a 1954), Bahia/BA (1954 a 1958) e Ypiranga/BA (1958 a 1959)

* Títulos (7): Troféu Embaixada Brasileira na Guatemala (1949), Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949), Copa Oswaldo Cruz (1950), Copa Rocca (1950), Copa Rio (1951), Campeonato Baiano (1954 e 1956)

* Seleção Brasileira: 11 jogos e nenhum gol entre 1949 e 1950.



Veja também: "Friaça arrancará suspiros em outra dimensão"





Foto 1: Site oficial do C. R. Flamengo/RJ
Foto 2: Blog do Roberto Porto

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

RESPOSTA AO LEITOR

Atendendo ao leitor: seleção brasileira de 1930 a 2006




Recebi um comentário do leitor Elmo Pereira, de Niterói/RJ, que questionou-me a falta de um post com as todas as escalações da Seleção Brasileira desde a Copa de 1930 até 2006. Respondo que não foi pro falta de vontade, mas de tempo e espaço aqui no blog. Entretanto não posso deixar a curiosidade de um amigo internauta passar batida. Tinha de cabeça algumas seleções-base dos mundiais e alguns nomes não me vinham à cabeça e tive que recorrer à pesquisa. Logo abaixo todas as escalações dos times brasileiros que foram às Copas do Mundo com seus respectivos capitães e treinadores e posição final nos torneios.

Legenda:

1 - Os nomes em parênteses são de jogadores que entraram no decorrer das competições e participaram ativamente na maioria dos jogos.

2 - O símbolo (c) ao lado do nome do jogador indicar que ele era o capitão da equipe.


1930 - 6º lugar

Joel; Brilhante e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando; Poly, Nilo, Arakén, Preguinho (c) e Pereira - Treinador: Píndaro de Carvalho

1934 - 14º lugar

Pedrosa; Silvio e Luz; Tinoco, Martim Silveira (c) e Canalli; Luizinho, Brito, Leônidas, Armandinho e Patesko - Treinador: Luiz Vinhaes

1938 - 3º lugar

Batatais; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim Silveira (c) e Alfonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio e Hércules - Treinador: Ademar Pimenta

1950 - Vice-campeão

Barbosa; Augusto (c), Juvenal e Eli; Danilo e Bigode; Maneca, Ademir, Baltazar, Jair e Friaça - Treinador: Flávio Costa

1954 - 6º lugar

Castilho; Djalma Santos, Nilton Santos e Brandaozinho; Pinheiro, Bauer (c) e Didi; Julinho, Baltazar, Pinga e Rodrigues - Treinador: Zezé Moreira

1958 - Campeão

Gilmar; De Sordi (Djalma Santos), Bellini (c), Orlando e Nilton Santos; Dino Sani, Joel e Didi; Mazzola (Garrincha), Dida (Pelé) e Zagallo - Treinador: Vicente Feola

1962 - Campeão

Gilmar; Djalma Santos, Mauro (c), Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Pelé (Amarildo), Vavá e Zagallo - Treinador: Aymoré Moreira

1966 - 11º lugar

Gilmar; Djalma Santos, Bellini (c), Altair e Henrique; Denilson e Lima; Garrincha, Pelé, Alcindo e Jairzinho - Treinador: Vicente Feola

1970 - Campeão

Félix; Carlos Alberto (c), Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Pelé, Jairzinho e Tostão - Treinador: Zagallo

1974 - 4º lugar

Leão; Nelinho, Luis Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Piazza (c), Rivelino e Paulo César Caju; Valdomiro, Jairzinho e Leivinha - Treinador: Zagallo

1978 - 3º lugar

Leão; Toninho, Amaral, Oscar e Edinho; Cerezo, Zico, Rivelino (c); Gil, Reinaldo e Batista - Treinador: Cláudio Coutinho

1982 - 5º lugar

Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Cerezo, Falcão, Sócrates (c) e Zico; Éder e Serginho Chulapa - Treinador: Telê Santana

1986 - 5º lugar

Carlos, Edson (Josimar), Edinho (c), Júlio César e Branco; Júnior, Alemão, Elzo e Sócrates; Casagrande (Müller) e Careca - Treinador: Telê Santana

1990 - 9º lugar

Taffarel; Ricardo Gomes (c), Mozer e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo e Branco; Careca e Müller - Treinador: Sebastião Lazaroni

1994 - Campeão

Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo (Branco); Dunga (c), Mauro Silva, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário - Treinador: Carlos Alberto Parreira

1998 - Vice-campeão

Taffarel; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; Dunga (c), César Sampaio, Leonardo e Rivaldo; Ronaldo e Bebeto - Treinador: Zagallo

2002 - Campeão

Marcos; Roque Júnior, Lúcio e Anderson Polga; Cafu (c), Edmilson, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo - Treinador: Luiz Felipe Scollari

2006 - 5º lugar

Dida; Cafu (c), Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Adriano - Treinador: Carlos Alberto Parreira


Desde já agradeço a participação do Elmo e convido a todos vocês, leitores, a fazer como ele: enviem suas sugestões de publicação, críticas ou elogios através de e-mail ou clicando no link de comentários ao final de cada post.


Obs.: Nesta semana lamentavelmente tivemos o falecimento do ex-zagueiro Juvenal, último remanescente da equipe titular brasileira vice-campeã mundial de 1950. Estou pesquisando sua carreira para poder contar sua história em forma de homenagem a esse bravo e injustiçado herói do país.



Foto 1: Blog Esquadrões de Futebol
Foto 2: El Mundo


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

VOCÊ CONHECE... O A. D. ALCORCÓN???



A. D. Alcorcón: fez Real Madrid cair de 4 literalmente





Que o futebol é um esporte apaixonante todos sabemos, mais ainda por acontecimentos inusitados como o desta semana quando o inexpressivo Alcorcón fez o ultra-poderoso Real Madrid cair literalmente de 4 pela Copa do Rey da Espanha no último dia 27. Mas, como diz a gíria popular, quem é Alcorcón no "jogo do bicho"? Vamos conhecê-lo a partir de agora.

A Agrupación Deportiva Alcorcón é uma modesta equipe que disputa a Segunda División B espanhola, equivalente à nossa 3ª divisão nacional. Situa-se na cidade de mesmo nome, que faz parte da grande Madrid e está distante 13 km da capital da Espanha. Foi fundada em 1971 por Dionisio Muñoz Jerez e desde então permabula pelas divisões inferiores do país. Iniciou sua trajetória na Regional Preferente de Madrid, ou seja, na 5ª divisão do país e desde a temporada 2000/01 joga a "terceirona". Atua no também modesto estádio Santo Domingo, que tem capacidade para 3000 pessoas.

O clube é tão inexpressivo que em seus 38 anos de história não conquistou um único título, mesmo em competições de nível mais baixo como a 5ª e a 4ª divisões. Seu maior feito em relação à classificação em torneios nacionais foi ter disputado a final do playoff de acesso à segunda divisão na temporada 2008/09 depois de ter ficado em 3º em seu grupo na competição - o que lhe garantiu uma vaga na Copa do Rey 2009/10.

O estádio Santo Domingo foi palco de um vexame para os comandados de Manuel Pellegrini, mas por outro lado foi a redenção de um atacante que é um verdadeiro carrasco do Real Madrid na Copa do Rey: Francisco de Borja Pérez-Peñas Díaz-Mauriño, ou simplesmente Borja, de 27 anos . Em 5 partidas contra a equipe que hoje conta com Kaká e Cristiano Ronaldo, foram 6 gols - 2 neste último confronto. Complementaram o placar Ernesto e Arbeloa contra. Mesmo sem boa parte das estrelas, grandes jogadores como Raúl, Benzema e Nilsterooy estavam em campo e tinham totais condições de vencer o confronto.

Este foi o primeiro encontro do modesto clube da terceira divisão com um time que está na La Liga. Tudo isso fez com que a goleada de 4 a 0 sobre os gigantes de Madrid pelos 16 avos de final da competição a tornasse ainda mais vexatória para os Merengues e fosse considerada a maior conquista do Alcór em toda a sua história. Está aí mais uma história de superação, onde o fraco vence o forte, e faz do futebol um esporte que aficciona milhões de pessoas ao redor do planeta.

Abaixo, dados do A. D. Alcorcón.


AGRUPACIÓN DEPORTIVA ALCORCÓN


* Fundação:
1971

* Local: Alcorcón/ESP

* Presidente: Esteban Márquez Ponce

* Treinador: Juan Antonio Albacete Anquela

* Estádio: Santo Domingo (3000 pessoas)

* Títulos: nenhum

* Principais jogadores: Borja (atacante), José Capdevilla (meia), Victor (meia), Chupe (atacante)




Escudo: arquivo pessoal
Foto 1: Site oficial do A. D. Alcorcón
Foto 2: Marca

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A SÉRIE D(ESORGANIZADA) DO CAMPEONATO BRASILEIRO

Série D de desorganização do Campeonato Brasileiro





Após o término da Série C do Campeonato Brasileiro no último mês, que decretou o América/MG como seu campeão e ainda promoveu o acesso à segunda divisão para ASA/AL (vice-campeão), Icasa/CE e Guaratinguetá/SP, estamos à porta de mais uma decisão de título de uma divisão inferior do nosso futebol. Trata-se da Série D, o 4º nível do nosso sistema de jogo, que definiram São Raimundo/PA e Macaé/RJ para a disputa do torneio após o último fim de semana, além dos acessos de Alecrim/RN e Chapecoense para a Terceirona de 2010.

Na verdade, a nossa estreante quarta divisão de 2009 teve a letra "D" bem a calhar. Seria uma idéia de "D"esorganização, nada que surpreenda partindo das "cabeças pensantes" da nossa CBF. Embora sem nenhum suporte logístico, midiático e financeiro da nossa entidade maior do futebol brasileiro, 40 clubes foram divididos em 10 chaves regionalizadas com 4 times cada, que tinham participação garantida de acordo com o posicionamento em seus respectivos campeonatos estaduais (obviamente excluindo-se os participantes da divisões superiores). A bagunça começa já daí, pois o regulamento previa os 40 participantes, mas o estado do Acre não inscreveu nenhuma equipe, o que reduziu o número de competidores para 39 e, consequentemente, fez com que um dos grupos tivesse seu número de agremiações reduzido para 3.

A competição teve seu início em 5 de julho até com times de alguma tradição no cenário nacional como Santa Cruz/PE, CSA/AL, Paulista/SP, Nacional/AM e Londrina/PR, mas também nobres desconhecidos como nos casos de Naviraiense/MS, Araguaia/MT, Ypiranga/RS, Atlético Roraima/RR, entre muitos outros. Desses 39 passariam 2 de cada grupo para a segunda fase, perfazendo-se 20 equipes que disputariam um "mata-mata" a partir de então. Só na genialidade das cabeças pensantes dos responsáveis pela edição do regulamento da competição essa matemática daria certo, pois chegou-se ao ponto de nas quartas-de-final ter apenas 5 times para a disputa que obtiveram a vaga dentro de campo. Daí a (im)perfeição da regra: 3 clubes seriam "beneficiados" pelo índice técnico (?) na terceira fase, ou seja, um derrotado nos cruzamentos poderia até mesmo ser campeão da Série D. Prêmio para quem foi incompetente no final das contas.

Dos 8 classificados, seja na bola ou seja por vias de regulamento, sobraram os 4 que foram promovidos para a Série C de 2010, conforme já citado no início da publicação. Neste fim de semana, Alecrim/RN e Chapecoense/SC sucumbiram diante de São Raimundo/PA e Macaé/RJ, respectivamente. Paraenses e cariocas disputarão o título de primeiro campeão da história da 4ª divisão brasileira a partir desta semana em dois jogos. A boa notícia é que nenhum dos 4 que ascenderam à terceira divisão se valeram da regra esdrúxula do índice técnico para avançar de fase. Ao menos justiça foi feita.

No atual torneio o meia Michel, do São Raimundo/PA, é o artilheiro com 9 gols até a rodada deste fim de semana (18 de outubro). O jogo decisivo, em Santarém/PA, será no dia 1 de novembro. Para 2010 o regulamento - e a matemática bisonha - serão mantidos e contando com o mesmo número de times previsto inicialmente para este ano. As vagas serão distribuídas de acordo com o RNF (Ranking Nacional de Federações), cujos 9 melhores colocados terão direito a 2 vagas na competição, enquanto que os demais, apenas uma - além dos 4 rebaixados da Série C de 2009, que foram Confiança/SE, Marcílio Dias/SC, Mixto/MT e Sampaio Corrêa/MA.

Apesar da falta de apoio, da precária estrutura e do quase amadorismo da competição, que sirva de pontapé inicial para a organização do futebol brasileiro, com oportunidades iguais aos clubes do país e motivação para o torcedor acompanhar seu clube do coração durante toda uma temporada.




Obs.: Perdoem-me a pouca qualidade da montagem das fotos, mas este que lhes escreve quase nada entende de edição de imagens.




Foto do Macaé/RJ: Blogols
Foto do Chapecoense: Blog Passando a bola

domingo, 11 de outubro de 2009

VOCÊ CONHECE... O CAMBRIDGE UNITED?


Calma, o escudo não é uma ofensa, é o modesto Cambridge United F.C.!





Gostaria de me desculpar com os amigos leitores pelo tempo em que fiquei sem publicar coisa alguma, mas por motivos familiares e de trabalho tive que me ausentar por uns instantes. Contudo estamos de volta aqui para mais histórias para contar.

Hoje vamos falar de um modesto clube do futebol inglês, cuja maior curiosidade é o seu escudo, que para nós soa até de mau gosto, mas é bom lembrar que para os britânicos tal sigla não quer dizer nada. E, sendo assim, seu conteúdo não pode ser, digamos, censurado.

Estamos falando do Cambridge United Football Club, pequeno time das divisões inferiores da Inglaterra situado na famosa cidade britânica por sua universidade. Fundado em 1912 como Abbey United (Abbey é um distrito da cidade de Cambridge e onde fica localizado o atual estádio do clube), iniciou-se no futebol nas divisões amadoras do país. Até 1932 não possuía campo próprio de jogo, quando atuava em vários locais ao redor da cidade. A partir de então passou a ter sua própria casa - o Abbey Stadium, com capacidade atual para 9617 pessoas. No ano de 1949 o time profissionalizou-se e passou a disputar a Eastern Counties Football League, atual Ridgeons Football League e equivalente à 10ª divisão nacional.

O United passou a utilizar seu atual nome em 1951 e continuava disputando a 10ª divisão, porém na temporada 1957/58 foi promovido para a Southern League, que engloba 3 divisões (
Division One Midlands, Division One South & West e Premier Division). Três temporadas mais tarde a equipe estava disputando a divisão principal da liga.

A afirmação do nome do U's foi na década de 70 quando alcançou a Second Division, à época o segundo nível do futebol inglês. Sua melhor participação foi na temporada 1979/80 com um honroso 8º lugar. Entretanto os anos 80 não fizeram muito bem ao clube - 4 anos depois foi relegado à terceira divisão com um recorde negativo de 31 derrotas durante toda a competição. Na Third Division novo vexame e mais um rebaixamento.

No ano de 1988 encerrava a carreira de jogador o meia John Beck no próprio Cambridge United e este nome entraria para a história do time a partir dos anos 90. Beck assume o comando técnico em Abbey e promove um grande desenvolvimento dentro de campo. Consegue conquistar o acesso à 3ª divisão na primeira temporada jogando um play-off no lendário estádio de Wembley. Além disso conseguiu chegar até às quartas-de-final da FA Cup por duas temporadas consecutivas (1990 e 1991). Ainda em 1991 fatura o título da 3ª divisão e retorna à Division Two depois de 7 anos.

Nesta época de ótimas campanhas vários nomes começaram a ter destaque dentro do clube e passaram a despertar a cobiça dos demais, tais como o atacante Dion Dublin (vendido ao poderoso Manchester United em 1992 por £ 1 milhão), o meia Liam Daish, o atacante Steve Claridge (que a título de curiosidade ainda atua aos 43 anos no semi-profissional Weymouth), o zagueiro Gary Rowett, entre outros. A temporada 1991/92 seria a última antes da criação da Premier League, a atual primeira divisão do futebol inglês. Os clubes que ali ascendessem fatalmente seriam considerados co-fundadores da competição, oportunidades esta perdida pelos comandados de John Beck com o 5º lugar na segunda divisão. Esta foi a sua última participação honrosa nas divisões de cima do sistema de futebol britânico.

Na temporada seguinte aconteceu a demissão do técnico John Beck e junto à ela a queda da qualidade do clube. Nos 3 anos posteriores foram 2 rebaixamentos até a então recém criada Division Three (quarta divisão). Até conseguiu retornar à Division Two em 2001, mas mal esquentou o lugar e voltou a cair em 2002. Finalmente na temporada 2004/05, após mais de 30 anos na divisão profissional da Inglaterra, o Cambridge United foi relegado à Football Conference, a Conferência Nacional, que envolve clubes semi-profissionais do Reino Unido.

Com o advento da queda de nível o clube começou a passar sérias dificuldades financeiras com a redução da receita. Tal dificuldade fez com que o United chegasse à bancarrôta e quase fosse à falência. Em 2005 a crise financeira da equipe foi minimizada com a intervenção do então ministro dos esportes britânico Richard Caborn, curiosamente torcedor do Sheffield United, que intermediou um acordo da dívida de impostos com a HRMC (Her Majesty's Revenue and Customs), instituição com funções semelhantes à nossa Receita Federal.

Atualmente o Cambridge United disputa ainda a Conferência e é treinado por Martin Ling. Possui em seu elenco apenas atletas nascidos na Inglaterra e aposta nas jovens promessas para retornar à Football League o mais rápido possível. Nomes como o do atacante Chris Holroyd, atual artilheiro da Conferência Nacional com 13 gols, podem tornar isso realidade. Porém nesta temporada as coisas andam meio complicadas para os lados do Abbey Stadium, que ocupa a modesta 9ª colocação do torneio com apenas 24 pontos, 15 a menos que o líder Oxford United depois de 16 rodadas.

Eu possuo uma camisa do clube, a que possuía listras verticais pretas, comprada em sua lojinha oficial (é verdade, clubes semi-profissionais ingleses ainda assim estão anos-luz à frente dos "profissionais" brasileiros em termos de estrutura e organização). Creio eu ser um dos raros donos de uma camisa oficial do time no país. Ao contrário do que seu escudo faz entender em nosso país, o futebol e os negócios lá em Abbey são levados muito a sério.

Abaixo, dados e estatíticas do clube da cidade mais conhecida por sua universidade que pelo futebol.


CAMBRIDGE UNITED FOOTBALL CLUB


* Fundação: 1912 (como Abbey United)

* Apelidos: United, The U's

* Presidente:
Paul Barry

* Treinador: Martin Ling

* Estádio: Abbey Stadium (9617 pessoas)

* Uniforme: Camisa amarela com faixa diagonal preta, calções amarelos e meiões pretos (titular); Camisas, calções e meiões azuis claros (reserva)

* Títulos (5): Southern League Cup (1968/69), Southern League Premier Division (1968/69 e 1969/70), Division Four (1976/77), Division Three (1990/91)

* Jogador que mais vestiu a camisa:
Steve Spriggs (416 jogos)

* Maior artilheiro: John Taylor (83 gols)




* Escudo: arquivo pessoal
* Foto: Site oficial do Cambridge United F. C.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

UMA ESPERA DE 5 ANOS


Ilhas Faroe: vitória após 5 anos de jejum





A Seleção Brasileira empolgou sua torcida com a impressionante marca de 11 jogos seguidos com vitória e mais de um ano sem saber o que é uma derrota. Não à toa a equipe comandada pelo ex-capitão Dunga já está de passaporte carimbado para a Copa do Mundo da África do Sul em 2010 e continua sendo a única nação a participar de todos os mundiais até aqui realizados.

Entretanto algumas nações vêem uma participação em uma Copa como um sonho quase impossível de ser realizado. Outras vão mais longe ainda: quando uma simples vitória já é suficiente para festejar durante um bom tempo - até mesmo pelos próximos 5 anos!

Aqui no blog já destacamos a pior seleção de futebol da Europa, "honra" pertencente ao principado de San Marino, que jamais viu um ponto sequer em torneios oficiais, e o calvário das mais de 100 partidas perdidas em pouco mais de 100 anos de história do futebol luxemburguês. Desta vez vamos destacar uma seleção que até tem um pouco mais de sucesso dentro de campo que as duas anteriormente citadas, mas que não deixa de ser outro saco de pancadas. Vale salientar que este selecionado conseguiu sua primeira vitória em uma competição oficial após 5 anos de longa espera.

Estamos falando da seleção das diminutas Ilhas Faroe (Føroyar em farôes, ou a "Ilha das ovelhas"), que venceu em casa ontem (09/09/2009) a Lituânia por 2 a 1 em partida válida pelas Eliminatórias Européias para a Copa do Mundo de 2010, com gols de Hansen e Olsen. Este arquipélago paradisíaco constituido de 18 ilhas é uma província autônoma da Dinamarca desde 1948, ou seja, possui independência política, entretanto ainda é regido pelas leis e pelas Forças Armadas do reino dinamarquês. Tem 1399 km² de extensão, possui uma população de 48.940 habitantes (dados de julho de 2009), situa-se entre o Mar da Noruega e o Oceano Atlântico Norte e faz fronteira marítima com a Escócia e a Islândia. De relevo bastante rochoso, o país, cuja capital é Tórshavn, tem como principais atividades econômicas a pesca, a agricultura e a prestação de serviços e sua moeda é a Faroese Króna (Coroa Faroesa).

No esporte a principal modalidade praticada no arquipélago, como na maioria dos países do planeta, é o futebol. Desde o século 19 que se tem notícia da prática futebolística na região, contudo a primeira partida disputada seleção local é datada de 9 de junho de 1930, realizada em Lerwick nas Ilhas Shetland (pertencente à Escócia), e o placar foi de 5 a 1 para o selecionado anfitrião. Porém os jogos ocorridos até 1988 não são computados como "oficiais" pela FIFA e pela UEFA. Oficialmente a primeira aparição da seleção faroesa se deu em 24 de agosto de 1988 em Akranes, na Islândia, na derrota por 1 a 0 para os donos da casa. A Fótbóltssamband Føroya, ou Associação das Ilhas Faroe de Futebol (FSF), foi fundada em 1979, mas apenas filiou-se à FIFA em 1988 e à UEFA 2 anos mais tarde. O selecionado atua em dois estádios: o Tórsvøllur, situado na capital Tórshavn e com capacidade para 6 mil espectadores, e o Svangaskarð, localizado em Toftir e capaz de receber 7 mil pessoas.

A seleção faroesa, assim como as já citadas de Luxemburgo e San Marino, nunca obteve classificação para qualquer torneio oficial. Os resultados são bastante inexpressivos, desde sua primeira participação em uma competição continental - as Eliminatórias para Euro 1992. A FSF organiza o campeonato nacional desde 1949, a Premier League, que hoje é denominada Vodafonedeildin desde fevereiro deste ano por razões de patrocínio. O certame é composto por 10 equipes que jogam entre si em turno e returno. O campeão ganha o direito a disputar as fases preliminares da Liga dos Campeões da Europa, enquanto os outros 3 melhores colocados vão tentar a sorte nas eliminatórias da Liga Europa (antiga Copa da UEFA). Os 2 últimos colocados são rebaixados à 1. deild - a segunda divisão de lá. Seu maior vencedor é o Havnar Bóltfelag Tórshavn (HB) com 19 troféus, seguido do Klaksvíkar Ítróttarfelag (KÍ Klaksvík) detentor de 17 títulos. O atual campeão faroês é o EB/Streymur.

A maioria dos jogadores das Ilhas Faroe são semi-amadores, ou seja, possuem outra ocupação além da de atleta de futebol. São marceneiros, bombeiros, encanadores, professores, entre outros que se aventuram no mundo da bola muitas vezes pelo puro prazer de praticar o esporte. Esse dado reflete diretamente no rendimento da seleção, com jogadores com pouquíssima rodagem internacional e dada a baixa qualidade do futebol praticado. Para se ter uma idéia de sua fragilidade a última vitória em um campeonato oficial havia sido há distantes 8 anos nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 diante da também fraca seleção de Luxemburgo por 1 a 0 atuando em seus domínios. Se contarmos as partidas amistosas, o último sucesso dos faroeses havia sido em 18 de abril de 2004 diante da não mais brilhante seleção de Malta com vitória por 3 a 2 atuando no estádio Tórsvøllur. Um hiato de 5 anos entre uma vitória e outra que deixa bem nítida a pouca competitividade da equipe nórdica. Sem falar que o maior placar aplicado pelos faroeses em uma partida oficial foi um 3 a 0 diante da inócua seleção samarinense em 1995. Houve algumas outras com mais de 3 gols, mas contra equipes amadoras e sem qualquer representatividade.

Poucos são os jogadores com algum destaque dentro e fora do país. Talvez possamos citar o zagueiro Oli Johannesen, o que mais vezes atuou pela seleção; ou o atacante Rógvi Jacobsen, maior goleador da história (?) do país com 10 gols; ou o meia Julian Johnsson, com passagem pelo futebol inglês. Mas nenhum com relevantes serviços prestados ao futebol. Enfim, assim como as ilhas são terras das mansas e pacíficas ovelhas, o futebol da seleção faroesa também é manso e inofensivo como os caprinos.

Abaixo, dados e estatísticas do "time das ovelhas".


ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL DAS ILHAS FAROE (Fótbóltssamband Føroya)

* Fundação: 1979

* Presidente: Óli Holm

* Treinador: Brian Kerr

* Títulos: nenhum

* Primeira partida: Ilhas Shetland 5 X 1 Ilhas Faroe em 09 de julho de 1930 em Lerwick/ESC

* Maior vitória: Ilhas Faroe 7 X 1 Åland Islands em 12 de julho de 1989 em Tórshavn (partida não-oficial) e Ilhas Faroe 3 X 0 San Marino em 25 de maio de 1995 em Toftir (partida oficial)

* Maior derrota: Islândia 9 X 0 Ilhas Faroe em 10 de julho de 1985 em Keflavík/ISL

* Maior artilheiro: Rógvi Jacobsen (10 gols até 09 de setembro de 2009)

* Jogador que mais vezes atuou pela seleção: Óli Johannesen (83 jogos entre 1992 e 2007)






Escudo: arquivo pessoal
Foto: Site oficial da Faroe Islands Football Association

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

UM POUCO DA HISTÓRIA DA "TERCEIRONA"

Série C: em busca da elite!





Mais uma Série C está chegando ao seu final e aqui no blog vamos comentar um pouco da trajetória deste torneio em nível nacional, mas que é muito pouco valorizado pelo público e pela mídia. Nesta temporada temos como ascendentes à Série B o cearense Icasa, de Juazeiro do Norte, o paulista Guaratinguetá, o América de Minas Gerais e o alagoano ASA de Arapiraca. Aliás estes dois últimos são os finalistas do campeonato e começam a lutar pelo título em partidas de ida e volta a partir do dia 13 de setembro próximo.

Porém o que é normalmente pouco valorizado possui particularidades interessantes. A "Terceirona" proporciona ao espectador a mais simples forma de se montar um clube de futebol - quase que totalmente na base do amadorismo -, os graves problemas de estrutura dos clubes pouco expressivos e de seus respectivos estádios. Mas pode-se ter alguns pontos positivos como revelações tanto dentro de campo quanto no banco de reservas esquecidos em algum rincão deste Brasil a fora, entre tantos outros. Não à toa equipes tradicionais do futebol brasileiro já perambularam por lá e de alguma forma deram uma maior exposição do campeonato para o país, tais como Fluminense/RJ, Guarani/SP, Bahia, Vitória/BA e Náutico/PE.

A "Terceirona" foi disputada pela primeira vez em 1981 para que clubes quase sem nenhuma expressão no cenário futebolístico brasileiro pudessem ter uma oportunidade de disputarem uma competição em nível nacional e para que não se tornassem sazonais como a maioria das equipes. O Olaria, naquele ano, entraria para a história do torneio como seu primeiro campeão ao bater os pernambucanos do Santo Amaro. Os primeiros artilheiros foram Müller (não confundir com o ex-campeão mundial com a Seleção Brasileira), do São Borja/RS, e Fabinho, do Santo Amaro, cada um com 5 gols marcados. Não houve rebaixamento neste ano.

Ao longo do tempo a Série C teve inúmeras mudanças de regulamento, inchaço no número de participantes e até mesmo times tradicionais saltando da terceira para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro através de canetadas da CBF (na minha opinião uma verdadeira vergonha para uma equipe da tradição do Fluminense, que fora reicindente em 1999 nesse tipo de artifício). Uma publicação que fala sobre o ocorrido pode ser lida aqui. Mas voltemos à Terceira Divisão.

Entre os anos de 1982 e 1987 não houve edição do campeonato, assim como em 1989, 1991 e 1993. Em 1988 foi instituído o descenso das piores equipes, que "agraciou" à época Treze/PB, Rio Branco/ES, Uberlândia/MG e Pelotas/RS; além do que na ocasião de haver empates durante o tempo normal, os confrontos eram decididos em cobranças de penalidade - mais uma das aberrações paridas pela nossa CBF em tantos anos de futebol. Havia o rebaixamento, mas o acesso à Série B só veio ser regulamentado a partir de 1994 e premiou os paulistas Novorizontino/SP e Ferroviária/SP. Tivemos ainda em 1995 um verdadeiro absurdo no quesito número de inscritos - 107 no total - incluindo equipes com quase nenhuma tradição sequer em seus próprios estados, como Maruinense/SE, Caçadorense/SC, Andirá/AC, Juventude/MA, Batalhense/AL, Barra/RJ, e muitos outros. Em 2000, com o advento da Copa João Havelange, a Série C propriamente dita não aconteceu, mas considerou-se como sendo os Módulos Verde e Branco, cujo vencedor foi o Malutrom/PR (atual Corinthians/PR).

O Atlético/GO é o único time a conquistar a competição 2 vezes (1990 e 2008) e o maior artilheiro é o veterano Túlio Maravilha, que em 2007 deixou sua marca 27 vezes atuando por outro goiano - o Vila Nova. O estado de São Paulo, como era de se esperar, é o maior vencedor da competição com 7 títulos. Já o Confiança/SE é a equipe com maior número de participações - 15 no total.

Em 2009 a CBF tentou "moralizar" a competição e deixá-la aos moldes das Séries B e A, com apenas 20 clubes participantes (do 5º ao 20º colocado da Série C mais os 4 rebaixados da Segundona ambos de 2008) e com os 4 primeiros ascendendo à "Segundona" e os 4 piores caindo para a recém criada Série D (essa sim um espetáculo de desorganização e de regulamento bisonho que vamos comentar em breve aqui). A princípio em jogos de ida e volta todos contra todos, mas por "falta de verba" (que eu duvido muito em se tratando da riquíssima CBF), que eu trato como "falta de vontade", dividiu-se em 4 grupos de 5 equipes cada, classificando-se os 2 melhores colocados para se iniciar o "mata-mata". Porém essa fórmula acaba por deixar os clubes, notadamente os que não conseguiram êxito na fase de grupos, muito tempo inativos, visto que a partir do final de setembro a grande maioria das agremiações que disputaram o campeonato só irão retomar suas atividades em janeiro de 2010.

Enfim, fórmulas esdrúxulas, falta de apoio e estrutura à parte, a Série C pode até não ter a importância, o charme e a qualidade das divisões superiores, mas que não deixa de ter suas peculiaridades e seus atrativos. Parabéns ao Icasa, ao Guaratinguetá, ao América/MG e ao ASA/AL pelo sucesso em 2009 e pela conquista do acesso à elite do futebol brasileiro! E que venha o campeão!

Abaixo, dados e estatísticas da história da "Terceirona".


* 1981 (24 participantes)

- Campeão: Olaria/RJ
- Vice: Santo Amaro/PE

* 1982 a 1987 (Não houve competição)

* 1988 (43 participantes)

- Campeão: União São João/SP
- Vice: Esportivo/MG

* 1989 (Não houve competição)

* 1990 (30 participantes)

- Campeão: Atlético/GO
- Vice: América/MG

* 1991 (Não houve competição)

* 1992 (31 participantes)

- Campeão: Tuna Luso/PA
- Vice: Fluminense/BA

* 1993 (Não houve competição)

* 1994 (41 participantes)

- Campeão: Novorizontino/SP
- Vice: Ferroviária/SP

* 1995 (107 participantes)

- Campeão: XV de Piracicaba/SP
- Vice: Volta Redonda/RJ

* 1996 (58 participantes)

- Campeão: Vila Nova/GO
- Vice: Botafogo/SP

* 1997 (64 participantes)

- Campeão: Sampaio Corrêa/MA
- Vice: Juventus/SP

* 1998 (66 participantes)

- Campeão: Avaí/SC
- Vice: São Caetano/SP

* 1999 (36 participantes)

- Campeão: Fluminense/RJ
- Vice: São Raimundo/AM

* 2000 (53 participantes)

- Campeão: Malutrom/PR
- Vice: Uberlândia/MG

* 2001 (65 participantes)

- Campeão: Paulista/SP
- Vice: Mogi Mirim/SP

* 2002 (61 participantes)

- Campeão: Brasiliense/DF
- Vice: Marília/SP

* 2003 (93 participantes)

- Campeão: Ituano/SP
- Vice: Santo André/SP

* 2004 (60 participantes)

- Campeão: União Barbarense/SP
- Vice: Gama/DF

* 2005 (63 participantes)

- Campeão: Remo/PA
- Vice: América/RN

* 2006 (63 participantes)

- Campeão: Criciúma/SC
- Vice: Vitória/BA

* 2007 (64 participantes)

- Campeão: Bragantino/SP
- Vice: Bahia/BA

* 2008 (63 participantes)

- Campeão: Atlético/GO
- Vice: Guarani/SP

* 2009 (20 participantes)

- Campeão: a definir entre ASA/AL e América/MG
- Vice: a definir entre ASA/AL e América/MG

* Maior artilheiro: Túlio (Vila Nova/GO em 2007) - 27 gols

* Maior vencedor: Atlético/GO (2 vezes - 1990 e 2008)

* Maior participação: Confiança/SE (15 vezes)



Imagem: Wordpress
Foto 1: Blog Archibal FC
Foto 2: ClicRBS

domingo, 23 de agosto de 2009

COLABORAÇÃO DO LEITOR


Sir Bobby Robson: os motivos de sua saída do Sporting Lisboa





A participação dos leitores é de suma importância para a continuidade do blog. Digo isso porque na publicação de hoje contei com a colaboração do leitor Duarte Temtem, que não mencionou o lugar em que vive, mas que suponho ser Portugal dado seu conhecimento sobre o Sporting de Lisboa e pelo seu texto possuir vocábulos originados daquela terra.

Bom, o Duarte acrescentou uma informação através do link de comentários a respeito de meu post sobre o falecimento de Sir Bobby Robson há duas semanas. O texto segue na íntegra a seguir:

"Caro Carlos

Venho apenas fazer uma ligeira correcção, aproveitando ainda para acrescentar mais alguma informação que considero pertinente.

Bobby Robson foi afastado do comando técnico do Sporting Clube de Portugal (SCP) no final do ano de 1993, mas não por divergências com a direcção relativamente a contratações. O que motivou a sua demissão foi a eliminação do SCP nos oitavos-de-final da Taça Uefa diante do Casino Salzburg (hoje chamado Red Bull Salzburg).

Curiosamente, esta equipa haveria de atingir a final nesse ano, perdendo-a para o Inter de Milão, num jogo em que o guarda-redes nerazzurri Walter Zenga fez uma exibição incrível.

Sousa Cintra, o então presidente do SCP, acalentava um velho sonho de ver Carlos Queiroz (que hoje lidera a selecção portuguesa) envergar a braçadeira de treinador leonino. Como tal, usou a eliminação frente ao Salzburg como subterfúgio para satisfazer este seu capricho (até porque a equipa estava em 1º lugar do campeonato, como o Carlos referiu).

A relação de Robson com os jogadores era de tal modo exímia, que estes organizaram um jantar de despedida para Sir Bobby aquando da sua demissão. Após o jantar, um promissor avançado sportinguista de 22 anos (Cherbakov) iria passar um sinal vermelho acabando por colidir com outra viatura a grande velocidade. Este acidente marcou indelevelmente a época 1993/1994 pois Cherba (como era carinhosamente tratado pelos adeptos de Alvalade) ficaria paraplégico.

Mas tanto Robson como Cherba ficarão para sempre nos corações leoninos."


Pois bem, caro Duarte, a informação que tenho das diversas fontes de minhas pesquisas até mencionaram esse jogo contra o Salzburg, pela Copa da UEFA, e a suposta preferência da alta cúpula leonina em contar com Carlos Queiroz para o comando técnico. Entretanto, como você bem frisou, a eliminação no torneio europeu foi apenas um mero pretexto para a saída de Robson, que já vinha com alguns atritos com a direção do clube. As contratações sem o consentimento do treinador de fato não aconteceram, mas só a intenção dos cartolas já foi um dos motivos pro desgaste entre estes dois setores do Sporting. E dada a lealdade de Bobby Robson aos jogadores do atual plantel sportinguista é que ocorreu essa despedida carinhosa por parte de seus comandados. Pelo menos é ao que se refere as fontes encontradas e ao meu conhecimento. Mesmo assim foi muito valioso seu comentário, agradeço desde já!

Façam como o Duarte, participem comigo através do e-mail ou do link comentários logo ao final das publicações. Será um imenso prazer!




Foto: BBC
Escudo: arquivo pessoal

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O "FUTEBOL MODERNO" FAZ MAIS UMA VÍTIMA

Dani Jarque: mais uma vítima do "futebol moderno"




No último fim de semana o mundo do futebol sofreu mais uma baixa. O zagueiro espanhol Daniel Jarque, do Espanyol, faleceu no dia 08 de agosto passado vítima de uma parada cardíaca no hotel em que estava hospedado durante a pré-temporada de sua equipe em Coverciano na Itália.

Em dezembro de 2007 fiz um apanhado sobre essas mortes que andam assustando o futebol. Suas causas, suas possíveis prevenções e uma lista das mortes mais noticiadas da história do futebol. Tudo isso nada mais é do que reflexo da visão muito mais negocial/comercial do esporte , que prima por atletas cada vez mais preparados fisicamente e mais fortes, gerando uma enorme sobrecarga sobre o corpo e o organismo humano. Na atualidade esse aspecto se sobrepõe à sua prática propriamente dita, e deixa de ser um espetáculo ou diversão para a família - a tal "modernidade" futebolística. Para ler a publicação na íntegra basta clicar aqui.

Daniel Jarque González nasceu em 01 de janeiro de 1983 e cresceu em Barcelona, na Catalunha. Era um dos símbolos do Espanyol, tradicional clube da capital catalã, ao lado do atacante Raúl Tamudo, tanto que aos 26 anos já era um dos capitães da equipe ao lado do próprio Tamudo. Ainda criança ingressou nas escolinhas do amador C.F. Cooperativa, mas aos 12 anos já estava nas categorias de base dos Periquitos. De 2001 a 2004 atuava no time B do RCD Espanyol com algumas passagens pela equipe principal. Sua estréia no grupo de cima foi em 20 de outubro de 2002 em uma partida contra o Recreativo de Huelva em partida válida pela Liga Espanhola. Em 14 anos no estádio Lluís Companys (Olímpico de Montjuïc) foram 253 partidas entre os times principal e reserva e 8 gols no total. Faturou 1 Copa do Rei em 2006, seu único título na carreira com o clube. O defensor não chegou a ser convocado pela seleção espanhola, mas sempre figurou nas seleções de base desde a juvenil (sub-17) até a olímpica e foi campeão europeu em 2002 com a Fúria sub-19.

Na manhã do último sábado no hotel em que estava concentrado junto com seus companheiros de Espanyol em pré-temporada na Itália, nos arredores de Florença, estava ao telefone com sua noiva e de repente silenciou. Alguns colegas de clube sentiram a falta do zagueiro durante o lanche e resolveram ir até o seu quarto para se certificarem do que estava ocorrendo. Ao entrarem no local encontraram o corpo do jogador no chão com o telefone jogado. Ainda tentaram levá-lo a um hospital próximo, mas já estava sem vida. Em seu atestado de óbito consta ataque cardíaco fulminante com apenas 26 anos de idade.

Seu velório ocorreu no novíssimo estádio Cornellà-El Prat, inaugurado recentemente e que recebeu inúmeros torcedores de várias agremiações, inclusive do grande rival Barcelona, que deixaram de lado as diferenças por alguns instantes e se juntaram na dor dos fãs do Espanyol. Daniel Jarque deixa a noiva grávida de sete meses.

Infelizmente o caso de Jarque nada mais foi do que mais uma constatação de como esse exagero na cobrança pode causar muitos revezes à saúde dos principais "produtos" do negócio futebol. Abaixo, dados e estatísticas da breve carreira de Dani Jarque, mais uma vítima do "futebol moderno".


* Nome: Daniel "Dani" Jarque González

* Nascimento: 01 de janeiro de 1983 em Barcelona/ESP

* Morte: 08 de agosto de 2009 em Coverciano/ITA

* Posição: zagueiro

* Clube (1): Espanyol (2001 a 2009)

* Títulos (2): Campeonato Europeu sub-19 (2002 - seleção espanhola) e Copa do Rei (2006)




Foto: José Porras

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"OLD FIRM": OS MAIORES RIVAIS DO PLANETA


Rangers X Celtic: em nome da fé, rivalidade a toda prova





Conforme havia prometido aqui está a resposta para o desafio lançado por mim a respeito da maior rivalidade clubística do planeta. Recebi alguns comentários e e-mails até com uma pitada de senso de humor (como no caso que o meu amigo Marco Navarro sugeriu que o maior clássico seria entre Remo X Paysandu, do Pará), mas poucos conseguiram acertar a resposta: Celtic X Glasgow Rangers, da Escócia.

Ainda seguindo o que disse na publicação do post com a pergunta jogada no ar uma rivalidade não se faz apenas nas gozações e provocações entre as torcidas, mas são até mesmo conflitos ideológicos e religiosos, como é o caso do derby escocês. Não se trata apenas da disputa do título nacional entre o time alviverde e o alvianil, mas uma concorrência brutal que extrapola os limites das 4 linhas de jogo como vamos conhecer a partir de agora. Quem não tem tanta proximidade com o duro e pouco técnico futebol da Escócia não deve perceber que por trás do confronto entre os dois clubes que monopolizam os torneios do país há uma rivalidade histórica étnica, política e religiosa.

Em 1872 o Glasgow Rangers foi fundado seguindo os preceitos da religião protestante, e entre eles muitos adeptos do anticatolicismo. Seus criadores eram seguidores da manutenção da união política da Escócia com a Inglaterra, ou seja, de visão política de extrema-direita. Percebe-se daí o motivo do escudo dos Blues ter as cores da bandeira inglesa.

Do outro lado, nascido no ano de 1888, o Celtic sempre foi a representação dos católicos no esporte. Ainda naquele tempo a equipe contava como um de seus apoiadores o arcebispo de Glasgow. Além disso era constante a presença de seminaristas e padres nas arquibancadas do Celtic Park. Esquerdistas e militantes da total autonomia escocesa, tinham como aliados e inspiradores os independentes (e católicos) irlandeses - nação também conhecida como Eire. Tal afinidade política fez da equipe uma verdadeira representação para os imigrantes da Irlanda na Escócia, tornando-se uma referência para assuntos bastante polêmicos como a Home Rule (a já citada autonomia irlandesa). Para completar oficializou as cores verde e branca no escudo dos Bhoys e o trevo, as cores e o símbolo da nação rebelde, respectivamente.

Tamanha a rivalidade entre ambos que até seus apelidos envolvem disputas. Do lado do Rangers temos os Billy Boys (Garotos de Billy), uma clara alusão ao rei William III, protestante que reconquistou a Irlanda no século XVII. Já pelo Celtic atuam os Pope's Eleven, ou "Os onze do papa".

Pelo lado étnico ambas as torcidas disputam a descendência dos celtas, povo que habitava as ilhas britânicas antes da invasão dos anglo-saxões no século V.

Afora a rivalidade extra-campo, Celtic X Glasgow Rangers sempre foi um clássico tenso e bastante disputado, que ficou conhecido como Old Firm (antiga empresa). A origem do nome tem duas possíveis teorias: a primeira, datada do ano de 1888, relata que um jornal da época comentava uma partida do Celtic e afirmava que os jogadores em campo portavam-se como "colegas de trabalho de uma antiga empresa"; a segunda vê o duelo como um grande benefício do comércio local nos dias do derby com vendas de artefatos ligados aos tradicionais rivais. As torcidas entoam cânticos diversos para motivar seus equipes e até mesmo "alfinetar" os rivais com suas diferenças ideológicas. O primeiro confronto entre ambos deu-se no longínquo ano de 1890, pela Copa da Escócia, vencido pelos católicos de verde por 1 a 0. Entretanto a vantagem atual é dos protestantes azuis com 153 vitórias nos 384 jogos em toda a história da rivalidade. O Celtic obteve êxito em 138 ocasiões e ainda ocorreram 93 empates (dados até 09 de maio de 2009).

Ambos detêm esmagador controle das conquistas escocesas, somando juntos 66 Copas da Escócia e 94 Campeonatos Escoceses. Intrusos foram muito poucos ao longo do tempo, tais como o Aberdeen e o Dundee United (rivalidade conhecida como New Firm - nova empresa-, referindo-se ao novo clássico do país) no final do século XIX e nos anos 50 e no início dos 80 no século passado.

Como se vê os jogadores dos maiores rivais do planeta entram em campo não só para duelar por vitórias e títulos ou para tirar sarro dos futuros derrotas. Flamengo X Vasco? Grêmio X Internacional? Real Madrid X Barcelona? Palmeiras X Corinthians? Internazionale X Milan? Que nada! Na batalha campal entre Celtic e Glasgow Rangers está em jogo representar e lutar pelas causas nas quais seus seguidores acreditam.





Escudos: arquivo pessoal
Foto 1: Zimbio
Foto 2: BBC

sábado, 1 de agosto de 2009

A DESPEDIDA DE UMA LENDA INGLESA

Sir Bobby Robson: o adeus à lenda inglesa





Eu havia prometido tratar da maior rivalidade clubística do planeta na postagem anterior neste fim de semana. Porém vou adiar por uns dias a publicação para falar de um assunto que entristeceu o mundo do futebol nesta sexta-feira - a morte de mais um ex-atleta e treinador, dessa vez de renome mundial como foi Sir Bobby Robson.

Robert William Robson fez história tanto dentro como fora dos gramados não só na Inglaterra, mas em diversos países europeus em que levou todo seu conhecimento técnico e talento como treinador vitorioso que foi. Nasceu na pequena vila de Sacriston, na região de Durham no norte inglês em 18 de fevereiro de 1933 e começou sua carreira de atacante em 1950 no Fulham. Entretanto deu seus primeiro passos com a bola nos pés com 15 anos no time infantil do Waterhouses Secondary Modern School, escola em que estudava na vila de Langley Park para onde mudou-se com seus pais ainda criança.

Fez sua primeira atuação como atleta profissional no clube londrino, recém promovido à divisão de elite, numa partida contra o Sheffield Wednesday na temporada 1950/51. Entretanto sua passagem no Fulham não foi das mais felizes, já que caiu para a segunda divisão no ano seguinte e só retornando em 1956. Neste mesmo ano deixou Londres para juntar-se ao West Bromwich Albion onde estreou também mal - derrota para o Manchester City por 4 a 0.

Contudo as coisas começaram a melhorar para Bobby Robson na temporada 1957/58 quando tornou-se o artilheiro máximo do WBA com 24 gols, o que lhe rendeu seguidas convocações para a seleção inglesa até 1962, onde jogou 20 vezes, marcou 4 gols e participou da Copa do Mundo de 1958 vencida pelo Brasil. Com o tempo o atacante foi se valorizando e reivindicou alguns ajustes em seu contrato, como um aumento substancial de seu salário. Jim Gaunt, então vice-presidente dos Baggies, não aceitou tais cobranças e o liberou para retornar para o Fulham em 1962 por 20 mil Libras Esterlinas. Em Craven Cottage foram mais 5 anos até aceitar um convite para jogar no futebol canadense pelo Vancouver Royals, onde encerrou sua carreira dentro das 4 linhas em 1968 aos 35 anos de idade.

Regressou ao Fulham ainda em 1968, mas para assumir como treinador. Também não teve um início muito promissor em sua nova função e acabou caindo novamente para a segunda divisão com o clube. No mesmo ano, com o clube num modesto 8º lugar na Segundona, deixou o cargo. Mas seu nome ainda iria brilhar no banco de reservas em breve...

Bobby Robson assinou com o Ipswich Town em 1969 e novamente não teve um princípio de trabalho dos mais promissores. Tanto que seu trabalho começou a ser bastante questionado após 4 anos sem brilho algum no comando dos Blues. Porém a reviravolta em sua trajetória começou a ser dada na temporada 1972/73 com conquista da Texaco Cup (torneio amistoso entre equipes inglesas e irlandesas) e o surpreendente 4º lugar na primeira divisão da Inglaterra. A partir de então montou equipes de respeito no Ipswich que enfrentavam os tradicionais clubes de igual para igual. Nas nove temporadas seguintes sempre deixava sua não tão expressiva equipe entre os 6 melhores do Campeonato Inglês - exceção feita à temporads 1977/78, mas que foi recompensada com o inédito (e único até hoje do time na competição) título da FA Cup diante do poderoso Arsenal.

Foram 13 anos à frente do Ipswich com grandes resultados, como dois vice-campeonatos ingleses, e os títulos já citados anteriormente, o que lhe valia sempre participações nas principais competições européias. E em um desses torneios, no ano de 1981, Bobby Robson chegou à consagração máxima ao conquistar o título da Copa da UEFA (hoje Liga Europa) diante do holandês AZ Alkmaar por 5 a 4 no placar agregado. Outro fato importante da passagem do treinador nos Azuis foi ter contratado apenas 14 jogadores, dando sempre prioridade às categorias de base. Tamanha idoltaria dos torcedores e gratidão dos dirigentes pelos seus grandes serviços prestados que uma estátua do técnico foi erguida na frente do estádio de Portman Road em 2002(foto 2).

Com os bons resultados alcançados a FA lhe fez um convite em 09 de julho de 1982 para assumir o posto de treinador da seleção inglesa, que havia sido eliminada dois dias antes da Copa do Mundo, em substituição a Ron Greenwood. Como em todo início de trabalho, Bobby Robson teve alguns tropeços e falhou na tentativa de classificar o English Team à Eurocopa de 1984 na França. Após o fracasso entregou seu cargo à Federação Inglesa, mas foi convencido a continuar no posto. Tal ação surtiu efeito e Robson levou os ingleses à Copa do Mundo de 1986, onde fez uma ótima participação com o 3º lugar conquistado. Em 1988 comandou o selecionado na pífia participação na Euro realizada na Alemanha Ocidental, mais uma vez chegou a entregar o cargo e de novo teve negado seu pedido. Classificou seu time para o Copa de 1990 na Itália e novamente sucumbiu nas semifinais, na ocasião diante dos alemães ocidentais nas penalidades máximas. Desta vez não teve como se segurar e deixou o posto de comandante inglês após o Mundial.

Não ficou muito tempo sem emprego: foi contratado para assumir o PSV Eidhoven da Holanda e conseguiu um bicampeonato nacional (1990/91 e 1991/92) comandando uma geração de grandes jogadores como o brasileiro Romário, o belga Eric Gerets e os holandeses Wim Kieft e Hans van Breukelen. Em 1991 descobre que sofre de câncer, mas consegue controlar a doença que estava em estágio inicial. Deixou a Holanda em 1992 rumo à Portugal para assinar com o Sporting, onde tinha como auxiliar-técnico o então jovem José Mourinho, futuro treinador campeão com Porto, Chelsea e Inter de Milão. Em Lisboa levou os Leões de Alvalade ao 3º posto em sua primeira temporada no campeonato nacional. Na temporada seguinte teve alguns atritos com a diretoria do clube, principalmente no tocante à contratações sem seu consentimento, e acabou rescindindo seu contrato mesmo deixando o clube em 1º lugar no Campeonato Português depois de 15 anos. Permaneceu em terras lusitanas e desembarcou no Futebol Clube do Porto, onde teve mais sorte e conquistou duas ligas nacionais e uma Copa. Tamanho sucesso fez com que o poderoso Barcelona o contratasse em julho de 1996, porém com a condição da ida de seu auxiliar desde os tempos de Sporting José Mourinho e do então jovem e promissor atacante brasileiro Ronaldo, do holandês PSV. Mesmo em apenas um ano de Barça conquistou os títulos da Supercopa da Espanha, da Copa do Rei e da extinta Recopa européia. Tamanha sua identificação com os jogadores e o reconhecimento de seu trabalho valeu-lhe o título de "Treinador da temporada européia 1996/97" e o elogio público de Ronaldo Fenômeno como sendo um dos melhores treinadores em atividade no planeta. No ano seguinte foi alçado à condição de Diretor Geral do clube catalão, entretanto um convite para reassumir o PSV Eidhoven foi aceito na temporada 1998/99. Sua volta à Holanda foi bastante rápida - e sem nenhum título -, o que o fez retornar à Inglaterra para fazer parte do Departamento Técnico da FA. Pouco tempo depois assume o Newcastle United no lugar do ex-jogador Ruud Gullit, nesta que seria sua última escala como treinador de futebol.

Em Saint James Park logo conquista a confiança e o carinho dos dirigentes, dos jogadores e da torcida. Em 5 anos levou o clube a 2 Ligas dos Campeões e uma Copa da UEFA, contudo sem nenhum título nacional, tampouco internacional. No ano de 2002 recebe a condecoração real de Cavaleiro (Sir) e em 2003 entra para o Hall da Fama do futebol britânico. Em 2004 deixa o Newcastle após divergências com o presidente Freddy Shepherd e encerra sua carreira como técnico.

No ano seguinte lança sua biografia "Bobby Robson: Farewell but not Goodbye" (Até breve, mas sem adeus) que trata de fatos após sua saída da seleção inglesa em 1990. Ainda em 2005 recusa uma oferta para treinar o escoês Hearts. Em 2006 aceita a proposta de se tornar consultor técnico do selecionado irlandês, treinado pelo ex-zagueiro Steve Staunton. Após a falta de êxito na qualificação para a Eurocopa de 2008 na Áustria e na Suíça deixa a função. Também em 2006 recebeu mais uma homenagem de seu ex-clube Ipswich Town com a nomeação de presidente de honra do clube.

Conforme já citado, Robson sofria de vários tipos de câncer desde 1991. Em 2006 foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor maligno no cérebro. No início de 2008 cria a Fundação Sir Bobby Robson para diagnóstico e tratamento de pessoas afetadas pela doença. Em agosto do mesmo ano é acometido de seu 6º tumor na vida, desta vez nos pulmões, que tirou sua vida na última sexta-feira. Desde então muitas têm sido as homenagens e palavras de reconhecimento vindas de personalidades do mundo futebolístico ao seu trabalho como jogador, treinador e dirigente. Além de conclamado com uma lenda do futebol inglês ao lado de grandes nomes como Bobby Charlton, Jack Charlton, Alain Ball, Gordon Banks, Geoff Hurst, Bobby Moore, Stanley Matthews, entre outros. Aos 76 anos de idade, Sir Bobby Robson deixa esposa e três filhos.

Abaixo, dados e estatísticas de uma das lendas inglesas do futebol.


* Nome: Robert William Robson

*
Nascimento: 18 de fevereiro de 1933 em Sacriston/ING

*
Posição: atacante

* Clubes como jogador (3): Fulham (1950-56 e 1962-67), West Bromwich Albion (1956-62) e Vancouver Royals/CAN (1967-68)

* Títulos como jogador: nenhum

* Seleção inglesa como jogador: 20 jogos e 4 gols entre 1957 e 1962

* Clubes/seleções como treinador (8): Fulham (1968), Ipswich town (1969-82), Seleção Inglesa (1982-90), PSV Eidhoven/HOL (1990-92 e 1998-99), Sporting Lisboa/POR (1992-94), Porto/POR (1994-96), Barcelona/ESP (1996-97) e Newcastle United (1999-2004)

* Títulos como treinador (14): Texaco Cup (1973), FA Cup (1978), Copa da UEFA (1980/81), Rous Cup (1986, 1988 e 1989), Campeonato Holandês (1990/91 e 1991/92), Copa de Portugal (1994), Campeonato Português (1994/95 e 1995/96), Supercopa da Espanha (1996), Copa do Rei (1997) e Recopa (1996/97)

* Conquistas pessoais: Treinador da temporada européia (1996/97) e Hall da Fama do futebol inglês (2003)





Foto 1: First Touch Online
Foto 2: Geograph/UK

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A MAIOR RIVALIDADE DO MUNDO

Rivais no futebol: qual a maior rivalidade entre clubes do mundo?




Estou preparando uma postagem especial sobre a maior rivalidade entre clubes do mundo. Aqui no Brasil temos jogos que parecem verdadeiras guerras de nervos: Flamengo X Vasco da Gama, Corinthians X Palmeiras, Grêmio X Internacional, Atlético/MG X Cruzeiro, Bahia X Vitória, entre tantas outras país a fora. No exterior podemos citar Everton X Liverpool na Inglaterra, ou Real Madrid X Barcelona na Espanha, Internazionale X Milan na Itália, Galatasaray X Fenerbahçe na Turquia e outros montes pelo planeta.

Mas o amigo leitor imagina qual a rivalidade clubística mais ferrenha no mundo?! Será que está num desses jogos que citei? Ou será que tem mais alguma que não está na lista? Pensem bem e lembrem-se: rivalidade não se dá apenas por não gostar das cores do adversário, por apenas disputar títulos nos campeonatos locais ou simplesmente por não suportar a provocação do rival após algum insucesso. Rivalidade é muito mais do que isso.

E então?! Pensaram bem?! Deixem suas opiniões via e-mail ou via comentários no blog. No próximo fim de semana teremos a resposta a essa "enquete".




Foto: Wordpress