sábado, 8 de dezembro de 2007

A SELEÇÃO QUE QUER RESPLANDECER



Seleção do Sri Lanka: futebol ainda tem muito o que resplandecer




O futebol não mede mesmo fronteiras. Na publicação de hoje, seguindo a seção "Conheça a Seleção", falaremos um pouco do desconhecido selecionado do exótico Sri Lanka, localizado no continente asiático.

Trata-se de um país insular com cerca de 21 milhões de habitantes, cuja capital é Colombo e as línguas oficiais são o cingalês e o tamil. Sua única fronteira marítima é com a Índia através do oceano Índico e tem uma extensão de 65.610 km². A economia do Sri Lanka é baseada na exportação de produtos primários, como grafite, produtos têxteis, chá, coco e borracha.

Assim como muitas ex-colônias inglesas, o Ceilão (seu nome equivalente no idioma português) tem como esporte mais popular o críquete. Só que o futebol vem ganhando também seu espaço como em muitas outras regiões remotas do planeta, apesar da interminável guerra civil entre governo central e os Tigres Tâmeis, movimento separatista que deseja a independência do norte e nordeste do Sri Lanka. Desde 1994 o país recebe ajuda financeira da FIFA para o desenvolvimento do esporte bretão, com a reforma de estádios nacionais e com a criação de centros de formação de jogadores na capital cingalesa. Até bem pouco tempo os estádios do país eram de terra batida, o que comprometia verdadeiramente o desenvolvimento do futebol. Neste ano, a FIFA promoveu um curso de formação de treinadores para que os clubes e a seleção possam alçar vôos mais altos em seus objetivos.

A despeito dos clubes e da seleção nacional masculina, que até os dias atuais não fez nada muito digno de nota, as mulheres têm evoluído bastante nos campeonatos nas quais participam. Assim como vários outros paises asiáticos, que possuem uma cultura extremamente machista, esse fato pode até ser de grande ajuda no desenvolvimento do futebol local.

O esporte surgiu em Sri Lanka ainda no século 19, quando o críquete já dominava o gosto popular. Algumas pessoas, que não tinham tanto domínio neste, se arriscavam com alguns rudimentos do futebol, principalmente as crianças. De lá para cá o jogo com a bola cresceu e sua seleção não faz tão feio como outras região: está na 160ª colocação no ranking da FIFA (31º lugar entre 46 seleções na Ásia). Além disso já venceu alguns torneios regionais e suas seleções de base conseguem alguns resultado satisfatórios nas competições que atuam.

Fundada em 1939, a Federação de Futebol do Sri Lanka vem, ao longo do tempo, tentando introduzir a cultura futebolística no povo cingalês, sobretudo nas crianças. Diversas escolas espalhadas pelo país possuem o futebol como matéria obrigatória no ano letivo, em mais uma estratégia para desenvolver o esporte no país. A iniciativa rendeu alguns bons frutos nesses anos, como o atacante Mudusha Peiris e o meio-campista Kasun Jayasooriya, que chegaram a atuar no futebol sul-coreano.

Os cingaleses disputam as eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo desde 1994, onde obtiveram 3 vitórias, 5 empates e 17 derrotas - um número bastante honroso para um país que está ainda muito distante de estar em um nível razoável de competição internacional. Obviamente nunca disputou um mundial e tem como maior conquista o vice-campeonato na Challenge Cup de 1996, uma "terceira divisão" da Copa da Ásia de seleções. Os jogos em casa são sempre disputados nos dois principais estádios do país: o Ranasinghe Premadasa (o maior de todos) e o Sugathadasa Stadium, com capacidade para abrigarem, respectivamente, 40 mil e 25 mil pessoas.

Os clubes locais disputam 3 divisões do campeonato nacional e mais outros 47 torneios distritais, num total de quase 150 times credenciados para as competições. A primeira divisão (Kit Premier League) é composta de 2 grupos de seis times cada, classificando-se os dois primeiros nas chaves para a semifinal. Já a segunda divisão (Kit League) conta também com 2 grupos de seis equipes, onde os primeiros colocados ascendem à elite. Finalmente a terceira divisão, que possui número indefinido de participantes - se inscrevem quantos desejarem (pois é, não é só no Brasil que existe campeonato bagunçado e inchado) - e a fórmula de disputa é definida pela Federação antes do início do campeonato de acordo com a quantidade de clubes. Desses, os quatro melhores jogam a Kit League no ano seguinte. Além do certame nacional também é disputada a Holchim Cup, a Copa do Sri Lanka, onde clubes de quaisquer divisões se enfrentam no mesmo estilo da nossa Copa do Brasil, que muito ajuda na divulgação do esporte pelo país e dá uma grande oportunidade de uma garimpagem de novas promessas pelo país. Os principais times cingaleses são o Ratnams (clube mais tradicional do país), o Saunders e o Negombo Youth.

Sri Lanka, no idioma cingalês, quer dizer "Terra Resplandecente". Mas para que o futebol local possa resplandecer como objetiva a Federação de Futebol, muitos outros passos precisam ser dados. A julgar pelos excessivos problemas políticos e civis e a precária estrutura de outrora, tempos de resplendor futebolístico podem estar ao alcance em longo prazo.

Abaixo, alguns dados e estatísticas da seleção do Sri Lanka:


* Federação de Futebol do Sri Lanka

* Fundação: 1939.

* Títulos: nenhum.

* Copas do Mundo: nenhuma participação.

* Eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo (4): 3 vitórias, 5 empates e 17 derrotas; 19 gols a favor e 69 contra (1994 a 2006).

* Artilheiro: Chathura Maduranga (19 gols).


Imagem: arquivo pessoal
Foto: BBC

2 comentários:

Júlio César disse...

putz! só falta agora falar da selecaum do afeganistaum!!! kkkkk

parabéns, cara, tou sempre de olho no teu blog!!!!

JC

Christian M. Silva disse...

Muito massa cara! 😎