sábado, 7 de novembro de 2009

MAIS UM HERÓI ESQUECIDO SE VAI...

Juvenal: mais um herói do futebol brasileiro morre injustamente esquecido




É muito chato fazer publicações sobre o falecimento de alguém que foi muito importante para o nosso futebol. Pior ainda quando essa pessoa foi totalmente relegada ao ostracismo de forma injusta e desrespeitosa. No dia 30 de outubro morreu em Salvador/BA o ex-zagueiro Juvenal, vice-campeão mundial na Copa de 1950 com a Seleção Brasileira de parada cardiorrespiratória em decorrência de complicações devido a uma artrose o joelho e dificuldades de locomoção prestes a completar 86 anos de vida. Era o último titular remanescente daquele episódio no Rio de Janeiro. Agora só restam vivos o ex-lateral Nilton Santos e o também zagueiro Nena, ambos reservas.

Juvenal Amarijo era gaúcho de Santa Vitória do Palmar, nascido em 27 de novembro de 1923. Iniciou sua carreira de zagueiro no início da década de 40, antes de completar 20 anos de idade, no Cruzeiro/MG. Ainda teve uma breve passagem pelo Brasil de Pelotas/RS entre 1945 e 1946. Defensor clássico e de muita categoria, Juvenal logo chamou atenção de outros grandes clubes do país. Após 5 anos no time mineiro assinou contrato com o Flamengo/RJ, clube pelo qual registrou grandes atuações que lhe valeram a convocação para a disputa da Copa do Mundo de 1950. Com os cariocas faturou 2 títulos em torneios não-oficiais na Guatemala.

O Mundial daquele ano praticamente todos já sabem da história: o Brasil era favorito ao título, era considerado também o melhor time e contava com o frenético apoio de sua torcida. E a chegada à final realmente fazia jus ao que preconizaram desde o início do torneio. Um Maracanã com quase 200 mil pessoas previa uma (esperada) vitória brasileira sobre os uruguaios, que chegaram como quem não queriam nada, de mansinho. Infelizmente a habilidade brasileira foi vencida pela conhecida garra, raça e valentia uruguaia apesar da superioridade técnica do time da casa durante quase todos os 90 minutos de partida. Alcides Ghiggia, avançado da Celeste Olímpica, tratou de calar o então maior estádio do mundo e tornar a carreira e a vida da grande maioria dos jogadores que cumpunham a Seleção àquela ocasião um verdadeiro calvário. Era o Maracanazzo.

Logo todos tentaram encontrar um culpado para o fiasco brasileiro. Flávio Costa, então treinador, foi um dos apontados por ter obrigado todos os atletas a acompanharem uma missa por 2 horas de pé na manhã do jogo. O goleiro do Vasco da Gama/RJ Barbosa também foi um dos acusados, se não o maior deles, por ter supostamente falhado no gol de Gigghia. Na minha opinião não vi nenhuma falha grotesca. Também tentaram culpar os chefes da delegação brasileira por causa da mudança da concentração antes da final do Joá para o estádio de São Janurário, de propriedade dos vascaínos. Enfim, nunca se chegará a um consenso.

Voltando ao assunto Juvenal, um dos poucos que não passou a vida crucificado pelo vice-campeonato em 1950, deixou o Flamengo em 1951 e foi contratado pelo Palmeiras/SP. No clube do Palestra Itália levou a Copa Rio (uma espécie de torneio com campeões nacionais da Europa e da América do Sul) no ano de sua chegada. Inclusive esta competição é pleiteada até hoje como um título mundial pelos palmeirenses, porém sem o devido reconhecimento por parte da FIFA (e eu concordo com tal decisão).

Em 1954 atuou pelo Bahia/BA, onde ajudou a conquistar dois títulos estaduais. Por fim, em 1958 assina contrato com o também baiano Ypiranga, no qual encerra sua carreira um ano mais tarde aos 36 anos. Desde então fixou residência em Jauá, na região metropolitana de Salvador, até seu falecimento.

Pela Seleção Brasileira, Juvenal atuou em apenas 11 ocasiões entre 1949 e 1950, sendo 6 delas na Copa do Mundo, sem marcar nenhum gol. Com o Brasil faturou duas taças: a Copa Oswaldo Cruz e a Copa Rocca, ambas em 1950.

No vídeo abaixo está a prova do descalabro com que a CBF e os clubes brasileiros tratam a maioria de seus ex-jogadores, muitas vezes até os que contribuiram firmemente para o crescimento do futebol brasileiro, como foi o caso de Juvenal. Na matéria veiculada no Esporte Espetacular da Rede Globo há 2 anos foi mostrada a triste situação vivida pelo ex-zagueiro, esquecido pela Confederação e pelos times por onde passou. Porém depois da veiculação da matéria na TV sobre o ex-jogador as direções do Brasil de Pelotas/RS e do Flamengo/RJ, além de muitos anônimos, sensibilizados com a precária situação de um dos nomes mais consagrados que vestiram as suas camisas, disponibilizaram-se a ajudar o ex-jogador em sua enfermidade. O mínimo que poderia ser feito, mas sem dúvida gestos nobres - mesmo que tardios - que merecem nosso elogio.



video


Este é o retrato do nosso futebol brasileiro para nossa infelicidade. Enquanto cartolas de equipes e dirigentes de entidades nadam em rios de dinheiro e quase nada (ou nada mesmo) fazem pelo desenvolvimento do nosso esporte, vítimas como Juvenal Amarijo, entre tantos outros país a fora, sofrem para ter ao menos um fim de vida digno da grande contribuição que deram pelo desporto. E é por causa destes grandes heróis que a CBF, com a Seleção Brasileira, e os clubes considerados "grandes" possuem o status, a imensa torcida e a grande influência nos bastidores futebolísticos.

Abaixo, dados e estatístiscas de Juvenal Amarijo, nosso bravo e heróico vice-campeão mundial de futebol. A ele todas as nossas reverências!


* Nome: Juvenal Amarijo

* Nascimento: 27 de novembro de 1923 em Santa Vitória do Palmar/RS

* Posição: zagueiro

* Clubes (6): Cruzeiro/MG (1943 a 1948), Brasil de Pelotas/RS (1945 a 1946), Flamengo/RJ (1949 a 1951), Palmeiras/SP (1951 a 1954), Bahia/BA (1954 a 1958) e Ypiranga/BA (1958 a 1959)

* Títulos (7): Troféu Embaixada Brasileira na Guatemala (1949), Troféu El Comite Nacional Olímpico da Guatemala (1949), Copa Oswaldo Cruz (1950), Copa Rocca (1950), Copa Rio (1951), Campeonato Baiano (1954 e 1956)

* Seleção Brasileira: 11 jogos e nenhum gol entre 1949 e 1950.



Veja também: "Friaça arrancará suspiros em outra dimensão"





Foto 1: Site oficial do C. R. Flamengo/RJ
Foto 2: Blog do Roberto Porto

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