terça-feira, 26 de julho de 2011

A DIVISÃO FINAL DO CAMPEONATO BRASILEIRO


São Raimundo/PA (1) e Guarany/CE (2): campeões da Série D





A Série D do Campeonato Brasileiro começou na semana retrasada com vários jogos de norte a sul do país. Trata-se da quarta divisão do futebol nacional, ou seja, praticamente o fim da linha para algum clube que pretenda manter suas atividades de forma contínua na temporada. 

São 40 times divididos em 8 grupos regionalizados com 5 componentes cada, já que a CBF, entidade "organizadora" da competição, mesmo endinheirada (só tem olhos para a seleção e para os interesses financeiros e pessoais dos cidadãos que a administram) se nega a dar sequer alguma ajuda de custos a esses clubes, que em quase sua totalidade sofrem com as baixas receitas, a pouquíssima visibilidade, as péssimas estruturas e os prejuízos com folhas de pagamento, logística e outras despesas. A fórmula consiste em jogos de ida e volta dentro da chave com os dois melhores classificados passando às oitavas-de-finais, daí seguindo-se até a grande final no conhecido sistema de "mata-mata". Os quatro clubes classificados às semifinais terão vaga garantida à Série C de 2012. Obviamente por não existir uma divisão inferior no Brasil não há rebaixamento nesta competição.

O critério de participação na Série D deste ano é a participação das equipes nos seus respectivos estaduais mais os quatro rebaixados da "Terceirona" de 2010. Somados a estes, 18 times das 9 federações melhores colocadas no ranking nacional (2 melhores de cada campeonato estadual ou outro torneio organizado pelas entidades locais, excetuando-se, logicamente, aqueles que participam de divisões superiores). As demais têm direito a um indicado nos mesmos moldes para classificação. 

A quarta divisão foi criada em 2009 com o mesmo intuito da introdução da Série C há alguns anos - manter o maior número possível de clubes em atividade na temporada do calendário futebolístico nacional - e teve a letra "D" bem a calhar. Poderia ser uma idéia de "D"esorganização, nada que surpreenda partindo das "cabeças pensantes" da CBF. Embora sem nenhum suporte logístico, midiático e financeiro da nossa entidade maior do futebol brasileiro, 40 clubes foram divididos em 10 chaves regionalizadas com 4 times cada. A bagunça começou já daí, pois o regulamento previa os 40 participantes, mas o estado do Acre não inscreveu nenhuma equipe, o que reduziu o número de competidores para 39 e, consequentemente, fez com que um dos grupos tivesse seu número de agremiações reduzido para 3.

Desses 39 passaram 2 de cada grupo para a segunda fase, perfazendo-se 20 equipes que disputariam um "mata-mata" a partir de então. Só na genialidade das cabeças pensantes dos responsáveis pela edição do regulamento da competição essa matemática daria certo, pois chegou-se ao ponto de nas quartas-de-final ter apenas 5 times para a disputa que obtiveram a vaga dentro de campo. Daí a (im)perfeição da regra: 3 clubes seriam "beneficiados" pelo índice técnico (?) na terceira fase, ou seja, um derrotado nos cruzamentos poderia até mesmo ser campeão da Série D (menos mau que não foi caso). Seria um prêmio para quem foi incompetente no final das contas. O São Raimundo do Pará, ao bater o Macaé, sagrou-se o primeiro campeão da história do torneio.

A competição é bem recente com apenas duas edições realizadas. Como já dito, o São Raimundo de Santarém/PA foi o seu primeiro vencedor em 2009, enquanto o Guarany de Sobral/CE conquistou o troféu no ano passado ao derrotar na final o América/AM. Como não poderia deixar de ser diferente no futebol brasileiro mais uma vez criou-se um imbróglio no torneio em 2010, já que os amazonenses foram punidos pelo STJD com a desclassificação devido à escalação irregular de um jogador nas quartas-de-finais diante do Joinville/SC. Dessa forma a vaga para a Série C dos manauaras foi repassada aos catarinenses.

Na edição de 2011 alguns clubes de certa tradição no cenário futebolístico do Brasil figuram no limbo da Série D, como Santa Cruz/PE, Sampaio Corrêa/MA (ex-campeão da Série C), Gama/DF e Juventude/RS (campeão da Copa do Brasil de 1999). Há até times de enorme torcida e de quilate similar destes citados que sequer vão participar do campeonato, como CSA/AL e Remo/PA.

Apesar da falta de apoio, da precária estrutura e do quase amadorismo da competição, que sirva de pontapé inicial para a organização do futebol brasileiro, com oportunidades iguais aos clubes do país e motivação para o torcedor acompanhar seu clube do coração durante toda uma temporada.


Abaixo, os campeões, vices, demais clubes que foram promovidos e artilheiros das edições já realizadas da Série D.


* 2009

- Campeão: São Raimundo/PA

- Vice: Macaé/RJ
- Demais promovidos: Chapecoense/SC e Alecrim/RN
- Artilheiro: Michel (São Raimundo/PA) - 10 gols

* 2010

Campeão
: Guarany/CE
Vice: Madureira/RJ
Demais promovidos: Araguaína/TO e Joinville/SC
Artilheiro: Danilo Pitbull (Guarany/CE) - 11 gols



Foto 1: Diário do Pará
Foto 2: Jornal Correio da Semana

sábado, 16 de julho de 2011

O TERCEIRO DEGRAU NO BRASIL



Série C: rumo ao degrau mais alto do Brasileirão




Mais uma Série C está para se iniciar neste fim de semana e aqui no blog vamos comentar um pouco da trajetória deste torneio em nível nacional, mas que é muito pouco valorizado pelo público e pela mídia. Como tem sido nos últimos anos 20 equipes de norte a sul do Brasil se dividem em 4 grupos regionalizados de 5 participantes. A fórmula em 2011, entretanto, será um pouco diferente, já que os dois primeiros de cada chave se classificam para a próxima fase que deixa de ser "mata-mata" e terá novamente mais dois grupos formados - os  dois melhores colocados de cada subirão para a Série B e decisão do campeonato ficará por conta dos dois melhores colocados. Lembrando que os quatro últimos dos grupos da primeira fase serão rebaixados para a Série D de 2012.

Porém o que é normalmente pouco valorizado possui particularidades interessantes. A "Terceirona" proporciona ao espectador a mais simples forma de se montar um clube de futebol - quase que totalmente na base do amadorismo -, os graves problemas de estrutura dos clubes pouco expressivos e de seus respectivos estádios. Mas pode-se ter alguns pontos positivos como revelações tanto dentro de campo quanto no banco de reservas esquecidos em algum rincão deste Brasil a fora, entre tantos outros. Não à toa equipes tradicionais do futebol brasileiro já perambularam por lá e de alguma forma deram uma maior exposição do campeonato para o país, tais como Fluminense/RJ, Guarani/SP, Bahia, Vitória/BA e Náutico/PE.

A terceira divisão foi disputada pela primeira vez em 1981 para que clubes quase sem nenhuma expressão no cenário futebolístico brasileiro pudessem ter uma oportunidade de disputar uma competição em nível nacional e para que não se tornassem sazonais como a maioria das equipes. O Olaria, naquele ano, entraria para a história do torneio como seu primeiro campeão ao bater os pernambucanos do Santo Amaro. Os primeiros artilheiros foram Müller (não confundir com o ex-campeão mundial com a Seleção Brasileira), do São Borja/RS, e Fabinho, do Santo Amaro, cada um com 5 gols marcados. Não houve rebaixamento neste ano.

Ao longo do tempo a Série C teve inúmeras mudanças de regulamento, inchaço no número de participantes e até mesmo times tradicionais saltando da terceira para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro através de canetadas da CBF (na minha opinião uma verdadeira vergonha para uma equipe da tradição do Fluminense, que fora reicidente em 1999 nesse tipo de artifício). Uma publicação que fala sobre o ocorrido pode ser lida aqui. Mas voltemos à Terceira Divisão.

Entre os anos de 1982 e 1987 não houve edição do campeonato, assim como em 1989, 1991 e 1993. Em 1988 foi instituído o descenso das piores equipes, que "agraciou" à época Treze/PB, Rio Branco/ES, Uberlândia/MG e Pelotas/RS; além do que na ocasião de haver empates durante o tempo normal, os confrontos eram decididos em cobranças de penalidade - mais uma das aberrações paridas pela nossa CBF em tantos anos de futebol. Havia o rebaixamento, mas o acesso à Série B só veio ser regulamentado a partir de 1994 e premiou os paulistas Novorizontino/SP e Ferroviária/SP. Tivemos ainda em 1995 um verdadeiro absurdo no quesito número de inscritos - 107 no total - incluindo equipes com quase nenhuma tradição sequer em seus próprios estados, como Maruinense/SE, Caçadorense/SC, Andirá/AC, Juventude/MA, Batalhense/AL, Barra/RJ, e muitos outros. Em 2000, com o advento da Copa João Havelange, a Série C propriamente dita não aconteceu, mas considerou-se como sendo os Módulos Verde e Branco, cujo vencedor foi o Malutrom/PR (atual Corinthians/PR).

O Atlético/GO é o único time a conquistar a competição 2 vezes (1990 e 2008) e o maior artilheiro é o veterano Túlio Maravilha, que em 2007 deixou sua marca 27 vezes atuando por outro goiano - o Vila Nova. O estado de São Paulo, como era de se esperar, é o maior vencedor da competição com 7 títulos. Já o Confiança/SE é a equipe com maior número de participações - 15 no total.

Em 2009 a
Imagem: Wordpress
CBF tentou "moralizar" a competição e deixá-la aos moldes das Séries B e A, com apenas 20 clubes participantes (do 5º ao 20º colocado da Série C mais os 4 rebaixados da Segundona ambos de 2008) e com os 4 primeiros ascendendo à "Segundona" e os 4 piores caindo para a recém criada Série D. A princípio em jogos de ida e volta todos contra todos, mas por "falta de verba" (que eu duvido muito em se tratando da riquíssima CBF), que eu trato como "falta de vontade", dividiu-se em 4 grupos de 5 equipes cada, classificando-se os 2 melhores colocados para se iniciar o "mata-mata". Porém essa fórmula acaba por deixar os clubes, notadamente os que não conseguiram êxito na fase de grupos, muito tempo inativos, visto que a partir do final de setembro a grande maioria das agremiações que disputaram o campeonato só retornaram às suas atividades em janeiro de 2010.

O atual campeão é o ABC de Natal/RN, que bateu o Ituiutaba/MG (hoje Boa Esporte) na final e levou o primeiro título em nível nacional para o estado. Além dos dois conseguiram vaga na Série B deste ano o Criciúma/SC e o Salgueiro/PE. E nesta edição de 2011 contaremos com algumas equipes tradicionais como Paysandu/PA, América/RN, Fortaleza/CE, CRB/AL e Joinville/SC.

Enfim, fórmulas esdrúxulas, falta de apoio e estrutura à parte, a Série C pode até não ter a importância, o charme e a qualidade das divisões superiores, mas que não deixa de ter suas peculiaridades e seus atrativos. Parabéns a todos os que já foram campeões e conseguiram o acesso à "Segundona"! E que venham os times que subirão ao segundo degrau do futebol brasileiro!

Abaixo, dados e estatísticas da "Terceirona".



* 1981 (24 participantes)

- Campeão: Olaria/RJ
- Vice: Santo Amaro/PE

* 1982 a 1987 (Não houve competição)

* 1988 (43 participantes)

- Campeão: União São João/SP
- Vice: Esportivo/MG

* 1989 (Não houve competição)

* 1990 (30 participantes)

- Campeão: Atlético/GO
- Vice: América/MG

* 1991 (Não houve competição)

* 1992 (31 participantes)

- Campeão: Tuna Luso/PA
- Vice: Fluminense/BA

* 1993 (Não houve competição)

* 1994 (41 participantes)

- Campeão: Novorizontino/SP
- Vice: Ferroviária/SP

* 1995 (107 participantes)

- Campeão: XV de Piracicaba/SP
- Vice: Volta Redonda/RJ

* 1996 (58 participantes)

- Campeão: Vila Nova/GO
- Vice: Botafogo/SP

* 1997 (64 participantes)

- Campeão: Sampaio Corrêa/MA
- Vice: Juventus/SP

* 1998 (66 participantes)

- Campeão: Avaí/SC
- Vice: São Caetano/SP

* 1999 (36 participantes)

- Campeão: Fluminense/RJ
- Vice: São Raimundo/AM

* 2000 (53 participantes)

- Campeão: Malutrom/PR
- Vice: Uberlândia/MG

* 2001 (65 participantes)

- Campeão: Paulista/SP
- Vice: Mogi Mirim/SP

* 2002 (61 participantes)

- Campeão: Brasiliense/DF
- Vice: Marília/SP

* 2003 (93 participantes)

- Campeão: Ituano/SP
- Vice: Santo André/SP

* 2004 (60 participantes)

- Campeão: União Barbarense/SP
- Vice: Gama/DF

* 2005 (63 participantes)

- Campeão: Remo/PA
- Vice: América/RN

* 2006 (63 participantes)

- Campeão: Criciúma/SC
- Vice: Vitória/BA

* 2007 (64 participantes)

- Campeão: Bragantino/SP
- Vice: Bahia/BA

* 2008 (63 participantes)

- Campeão: Atlético/GO
- Vice: Guarani/SP

* 2009 (20 participantes)

- Campeão: América/MG
- Vice: ASA/AL

* 2010 (20 participantes)

- Campeão: ABC/RN
- Vice: Ituiutaba/MG

* Maior artilheiro: Túlio (Vila Nova/GO em 2007) - 27 gols

* Maior vencedor: Atlético/GO (2 vezes - 1990 e 2008)

* Maior participação: Confiança/SE (15 vezes)





Imagem: Wordpress
Foto 1: Blog Archibal FC
Foto 2: Site oficial do ABC/RN

terça-feira, 12 de julho de 2011

OS ARTILHEIROS DA COPA AMÉRICA II


Norberto "Tucho" Méndez: artilheiro máximo da Copa América





Conforme o post passado, no qual contamos um pouco da história de um dos maiores artilheiros da história da Copa América, o brasileiro Zizinho, nesta publicação vamos falar sobre o outro goleador máximo da competição, o argentino Norberto Méndez.

Ambos marcaram 17 gols em edições diferentes do troféu. Só que Méndez, ao contrário do ex-jogador do Flamengo e do Bangu, sagrou-se artilheiro da competição em 1945 com 6 tentos assinalados. Além do mais se levarmos em conta a média, o “hermano” leva vantagem sobre o rival do Brasil, já que enquanto “Mestre Ziza” atuou em 6 torneios, “Tucho” Méndez jogou em apenas 3 como vamos ver a partir de agora.

Desde muito jovem Norberto Doroteo Méndez, nascido quase nos limites entre os bairros de Nueva Pompeya e Parque Patrícios em Buenos Aires no dia 05 de janeiro de 1923, demonstrava toda sua categoria e faro de gol nas peladas entre amigos durante sua juventude. Não durou muito para que logo assinasse contrato com o Club Atlético Huracán, o clube do seu bairro e do seu coração, em 1940 com apenas 17 anos atuando ora como meio-campista, ora como atacante caindo pelo lado direito.

Méndez era fã confesso do centroavante compatriota Hermínio Masantonio, que já era ídolo no Huracán e que foi artilheiro do Campeonato Sul-americano de Seleções em 1937 e 1941. Para a jovem promessa seria uma honra dividir o ataque com seu ídolo, tanto que sempre observava Masantonio durante os treinamentos enquanto ainda não era escalado entre os profissionais do time considerado principal. Entretanto a honraria foi alcançada e em 13 de janeiro de 1941 o garoto Norberto Méndez iniciava sua trajetória de sucesso dentro do futebol portenho fazendo sua estréia na equipe “de cima” do Globo ao lado de seu grande astro Masantonio já causando furor com um gol marcado - numa vitória de 4 a 2 diante do Lanús pela terceira rodada do Campeonato Argentino.

Tamanho seu sucesso dentro do Huracán ao lado de Masantonio e Emílio Baldonedo, formando juntos o histórico trio ofensivo que ficou conhecido por “El Globito”, que foi chamado para a seleção argentina pela primeira vez em 1945 para a disputa do torneio continental realizado no Chile. Fez seu primeiro gol com a camisa Albiceleste na mesma competição, na qual seria seu artilheiro, diante da Colômbia - o terceiro na goleada de 9 a 1.

Em 1948, após 177 partidas e 67 gols, deixou a equipe de Parque Patrícios, onde fez enorme sucesso mesmo sem ter conquistado nenhum título de expressão nacional, para alçar vôos maiores. Assinou contrato com o Racing Club de Avellaneda e não decepcionou a torcida da “Academia” – muito pelo contrário. “Tucho” Méndez, como já era conhecido, foi peça chave na conquista do tricampeonato argentino pelo Racing entre 1949 e 1951 – os seus únicos títulos em nível de clubes. Aliás, essas foram as primeiras conquistas do time depois do advento do profissionalismo no futebol da Argentina e para o então treinador Guillermo Stábile, grande ídolo do passado da seleção nacional e que já havia comandado o atacante no selecionado nas conquistas sul-americanas de 1945, 1946 e 1947, tais êxitos só poderiam acontecer com a chegada de um jogador do nível de Norberto Méndez. Tanta era a admiração de Stábile pelo jogador que em muitas ocasiões, enquanto treinava a Argentina, o ex-artilheiro da Copa de 1930 deslocou o lendário José Manuel Moreno, um dos maiores jogadores da história do futebol local, da ponta-direita para a esquerda só para abrir espaço para “Tucho” atuar em sua posição que exercia com tanta maestria.

Em 1954 Méndez deixou o Racing para assinar com o modesto Club Atlético Tigre, onde não reviveu os grandes momentos de outrora e passou apenas duas temporadas com parcos 7 gols, número nada condizente com sua brilhante carreira de goleador. Por fim, em 1957, como diz o velho ditado que “o bom filho à casa retorna”, voltou para Parque Patrícios e assinou com seu time do coração Huracán, no qual começou sua trajetória de sucesso dentro do futebol. “Tucho” deu adeus ao futebol um ano depois, aos 35 anos, consagrado como um dos grandes artilheiros dos gramados argentinos.

Pela seleção argentina, conforme já citado, estreou em 1945 no Campeonato Sul-americano já levando o título da competição e sagrando-se artilheiro. Assim como em clubes, levantou um tricampeonato pela Albiceleste no torneio de seleções da América do Sul entre 1945 e 1947. Em 31 partidas no período entre 1945 e 1955, Méndez balançou as redes em 19 ocasiões - dentre esses, 17 foram em 3 edições da competição continental que participou, que o credencia ao lado do brasileiro Zizinho como maior goleador da história da disputa.

Depois da aposentadoria afastou-se um pouco do futebol, continuando apenas na torcida pelo seu querido Huracán. As artes como a dança e o cinema eram outra paixão do jogador. Era um intenso apreciador do tango e também era conhecido por ser um grande dançarino do ritmo. E na telona atuou em 1949 no filme “Con los mismos colores” do diretor Carlos Ríos no auge do seu sucesso nos gramados.

Infelizmente como muitos atletas do passado, principalmente aqui no Brasil, o surgimento de outros jogadores foi levando pouco a pouco ao esquecimento todo o rico legado deixado por “Tucho” Mendéz no futebol argentino, que faleceu em 22 de junho de 1998, aos 75 anos, num hospital geriátrico de Buenos Aires viúvo, pobre e desamparado por aqueles que um dia o aplaudiram, inclusive pelas pessoas que faziam o que ele citou como sua namorada (o Huracán), sua esposa (Racing) e sua amante (seleção).

Abaixo, dados e estatísticas de Norberto “Tucho” Méndez, o artilheiro máximo da Copa América.


* Nome: Norberto Doroteo Méndez

* Nascimento: 05 de janeiro de 1923 em Buenos Aires/ARG

* Posição: atacante

* Apelido: Tucho

* Clubes (3): Huracán (1940 a 1947 e 1957 a 1958), Racing (1948 a 1954) e Tigre (1955 a 1956)

* Títulos (6): Campeonato Argentino (1949, 1950 e 1951) e Campeonato Sul-americano de Seleções (1945, 1946 e 1947)

* Conquista individual: Artilheiro do Campeonato Sul-americano de Seleções de 1945 (6 gols)



Foto 1: Site "Se escucha Huracán"
Foto 2: El Gráfico

sexta-feira, 8 de julho de 2011

OS ARTILHEIROS DA COPA AMÉRICA I


 Zizinho: um dos goleadores da Copa América em todos os tempos




Estamos assistindo a 43ª edição de uma Copa América, que é realizada na Argentina, escassa de qualidade técnica e, sobretudo, de gols. Muito diferente do que se via no passado com jogos bem movimentados, desfiles de jogadores consagrados e uma chuva de bolas na rede. Até o final desta postagem (08/07/2011 às 21h30) foram 9 jogos e apenas 12 tentos, com uma média muito baixa de 1,33 gol por partida. O maior placar, até então, foi um 2 a 0 da Costa Rica sobre a Bolívia pela segunda rodada do Grupo A.

O torneio sul-americano de seleções já teve grandes artilheiros em destaque, como pode ser conferido no post anterior. Craques como Friedenreich, Pelé, Heleno de Freitas, Romano, Petrone, Scarone, entre outros, brilharam marcando gols e alcançando a artilharia máxima da competição. Três jogadores detêm até hoje o maior número de gols em um único campeonato continental na história: o brasileiro Jair da Rosa Pinto (1949), o argentino Humberto Maschio (1957) e o uruguaio Javier Ambrois (1957) com 9 gols cada um.

Entretanto os maiores goleadores da história da Copa América (antigo Campeonato Sul-americano de Seleções) são dois: o brasileiro Zizinho e o argentino Norberto Méndez, cada um com 17 gols marcados em edições diferentes do troféu. Vamos, a partir de agora, conhecer um pouco mais a respeito da carreira de ambos em duas partes. Na publicação de hoje trataremos de comentar sobre o ex-meia/atacante do Brasil e na próxima, sobre o artilheiro “hermano”.

Thomaz Soares da Silva, mais conhecido como Zizinho ou “Mestre Ziza”, nasceu em São Gonçalo/RJ em 14 de setembro de 1921, filho de Thomaz Silva e Eurídice Soares, e logo começou a despontar como craque nas categorias inferiores do clube Carioca e depois do Byron, ambos de Niterói. Em 1939 chegou a tentar um teste no América, mas não foi aceito pelo diretor Geraldo Costa Velho, e chegou a participar de alguns treinos pelo São Cristóvão, até que o treinador do Flamengo Flávio Costa o observasse e decidisse levar o futuro gênio para a Gávea.

O primeiro “teste de fogo” de Zizinho foi em um treino corriqueiro. Flávio Costa orientando os jogadores e vendo a movimentação dos atletas do lado de fora das quatro linhas como de costume, enquanto o garoto Thomaz observava grandes nomes como Leônidas da Silva (à época o maior craque brasileiro em atividade), Domingos da Guia (o “Divino Mestre”) e Valido correndo atrás da bola. No meio do treinamento o “Diamante Negro”, como era conhecido Leônidas, sofreu uma contusão e teve que sair de campo. O técnico então ordenou que jovem recém-chegado entrasse em campo com a imensa responsabilidade de substituir o atacante machucado. O “moço” de 18 anos não tremeu e logo em seu primeiro lance driblou a defensiva inteira adversária e marcou gol. Poucos minutos depois, em jogada semelhante, marcou outro, encantando Flávio Costa e convencendo-o a assinar contrato com a promessa. Levantou seu primeiro troféu de campeão naquele mesmo ano com a conquista do Campeonato Carioca.

Zizinho tinha facilidade para jogar tanto no meio de campo como no ataque e sempre se notabilizou pelo exímio domínio de bola, precisão nos passes e faro de gol. Não à toa, dada sua genialidade, logo foi chamado pelos companheiros de “Mestre Ziza”, honroso apelido que carregou até o fim de sua vida. Com a camisa do Flamengo foi um dos responsáveis pela conquista do primeiro tricampeonato estadual rubronegro em 1942, 1943 e 1944. Ainda em 1942 veio sua primeira convocação para a seleção brasileira para a disputa do Campeonato Sul-americano de Seleções, justamente o torneio que o consagraria como o seu maior artilheiro até hoje ao lado do argentino Méndez.

Atuou pelo clube da Gávea por 11 anos marcando 146 gols até sua polêmica transferência para o Bangu em 1950, às vésperas do Mundial daquele ano a ser realizado no Brasil. Tal transação deixou Zizinho e a torcida rubronegra bastante decepcionados com a diretoria flamenguista. Apesar da perda do título mundial com a seleção para o Uruguai, foi aclamado como melhor jogador da competição.

Pelo Bangu foram 6 anos demonstrando a mesma categoria de sempre, onde chegou a marcar 120 gols e tornando-se seu quinto maior artilheiro da história. Já veterano, com 36 anos, foi aventurar-se no São Paulo, mas a idade não o atrapalhou de ser peça fundamental na conquista do título paulista de 1957 com seus 24 gols. Nesta época surgia uma nova promessa do futebol: Pelé, que ainda jovem no Santos observava o experiente Zizinho regendo o tricolor em campo. Foi o bastante para que o futuro “rei do futebol” elegesse o “Mestre Ziza” como seu ídolo nos gramados até os dias atuais. Após sua passagem de um ano pelo São Paulo, Zizinho assinou contrato com o Uberaba/MG e um ano depois rumou para o Chile onde encerrou sua vitoriosa carreira no Audax Italiano em 1962, aos 41 anos de idade como jogador e treinador.


Pela seleção brasileira fez sua estréia em 17 de janeiro de 1942 com derrota para a Argentina por 2 a 1 pelo Campeonato Sul-americano de Seleções. Em 15 anos com o selecionado foram 54 jogos e 31 gols marcados, com dois títulos conquistados. Foi convocado para a fatídica Copa do Mundo de 1950, cujo time veio respaldado com a conquista do torneio continental no ano anterior e foi derrotado pelos uruguaios na já muito conhecida final no Maracanã – o Maracanazo. Além de maior artilheiro da história da Copa América, como já citado, com 17 gols ao todo, também é o recordista de partidas na competição ao lado do chileno Sérgio Livingstone com 34 no total, tendo disputado as edições de 1942, 1945, 1946, 1949, 1953 e 1957.

Após pendurar suas chuteiras no Chile, Zizinho retornou ao Brasil e passou a trabalhar como fiscal de rendas do estado do Rio de Janeiro até sua aposentadoria e estudava muito a respeito de táticas e sistemas de jogos. Tanto que escreveu alguns livros, como “Zizinho – o Mestre Ziza” e “Verdades e Mentiras no futebol”. Faleceu no dia 08 de fevereiro de 2002 em Niterói/RJ, aos 79 anos, vitimado por problemas cardíacos.

Mas para quem é reverenciado por nada mais, nada menos que o maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé, sua história continuará viva por muitos e muitos anos como exemplo de uma carreira vitoriosa com classe, técnica e faro de gol.

Na próxima postagem contaremos a história do outro artilheiro da Copa América: o argentino Norberto Méndez.

Abaixo, dados e estatísticas do “Mestre Ziza”, o ídolo de Pelé.

* Nome: Thomaz Soares da Silva

* Nascimento: 14 de setembro de 1921 em São Gonçalo/RJ

* Posição: meia/atacante

* Apelidos: Zizinho e Mestre Ziza

* Clubes (5): Flamengo (1939 a 1950), Bangu (1950 a 1956), São Paulo (1956 a 1957), Uberaba (1958 a 1959) e Audax Italiano/CHI (1960 a 1962)

* Títulos (7): Campeonato Carioca (1939, 1942, 1943 e 1944), Copa Rocca (1945), Campeonato Sul-americano de Seleções (1949) e Campeonato Paulista (1957)

* Seleção Brasileira: 54 jogos e 31 gols entre 1942 e 1957

* Conquistas individuais: Melhor jogador da Copa do Mundo de 1950, Artilheiro do Campeonato Carioca de 1952 (19 gols), Quarto maior jogador brasileiro do século XX (IFFHS) e Décimo maior jogador sul-americano do século XX (IFFHS)




Foto 1: Autor desconhecido
Foto 2: Arquivo Folha Imagem

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"GRINGOS" NA SELEÇÃO BRASILEIRA



Seleção Brasileira também já teve estrangeiros atuando




No mundo de hoje as naturalizações dentro do futebol tornaram-se bastante normais. Não é mais surpresa vermos atletas nascidos em um país vestirem a camisa de seleções de outro nos torneios realizados. E não é de agora que tal ato é realizado, já que desde os primórdios do esporte, no século XIX, vários atletas imigrantes de outras nações passavam a defender a bandeira do local em que estavam vivendo naquele determinado momento.

Àquela época não havia regra para um jogador defender uma seleção específica. Ele poderia jogar por um país em um ano e, caso julgasse atrativo e recebesse a naturalização, no outro estar atuando por uma equipe “estrangeira”, principalmente atletas do continente americano.

Temos inúmeros exemplos na América do Sul, só para citarmos os três países das Américas de maior sucesso futebolístico na história – Brasil, Argentina e Uruguai. O brasileiro Filó foi o primeiro campeão mundial nascido em nosso país defendendo a Itália em 1934 e cuja história já foi tratada no blog. Podemos também citar outros brasileiros como Mazzola, mais conhecido como Altafini quando defendeu a mesma Itália na Copa de 1962, Deco, Pepe e Liédson; os argentinos Luis Monti (também já comentado aqui), Omar Sívori e Di Stéfano (este chegou a atuar por 3 seleções diferentes); os uruguaios Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia; entre muitos outros.

Entretanto, o que era facilitado no passado mudou a partir do Mundial 1962, realizado no Chile. Poucos dias antes do início da competição a FIFA decidiu proibir as naturalizações de jogadores que já haviam atuado por uma seleção anteriormente. Essa resolução entraria em vigor a partir do Mundial de 1966, que seria realizado na Inglaterra, para evitar as intensas trocas de seleções entre uma Copa e outra, o que poderia descaracterizar totalmente uma equipe em um curto espaço de tempo. E eles tinham razão: quem é mais conhecido, o argentino ou o espanhol Di Stéfano? O uruguaio ou o italiano Gigghia? E assim por diante.

Mas você, caro leitor, já imaginou um dia um estrangeiro servindo a seleção brasileira? Talvez o índice de rejeição fosse imenso e até certo ponto realmente não se vê necessário que um jogador de outra nação se naturalize e atue pelo Brasil, já que o país é uma reconhecida fonte de grandes talentos do futebol.

Só que para o que pode ser sua surpresa já houve sim jogadores estrangeiros atuando pela seleção Canarinho. Nos seus quase 97 anos de atuação quatro jogadores já foram convocados, seja para jogos oficiais ou não tanto na categoria principal como nas de base. Os primeiros “gringos” da história a serem chamados para jogar pelo Brasil foram o atacante inglês Sidney Pullen (2ª foto), que atuava pelo Flamengo, e o goleiro português Casemiro Amaral (1ª foto destacado pela seta com a equipe do Corinthians), do Mackenzie/SP, em 1916 para a disputa do primeiro Campeonato Sul-americano de Seleções (atual Copa América). Depois de Pullen ainda tivemos o meia italiano Francisco Police, que defendia o Botafogo, em 1918, e por fim o boliviano Marcelo Moreno (3ª foto), que chegou a atuar pelas categorias sub-18 e sub-20 entre 2005 e 2006 quando era centroavante do Vitória/BA. Alguns jornalistas e pesquisadores ainda incluem um quinto atleta “forasteiro” a ter vestido a camisa brasileira - o atacante Patesko, que jogou as Copas de 1934 e 1938, como sendo polonês. Contudo, Rodolfo Barteczko, seu nome de registro, era descendente de poloneses, mas nascido em Curitiba/PR no ano de 1910.

Abaixo, um breve resumo da carreira dos quatro únicos “gringos” a terem defendido a pátria brasileira de chuteiras.

* Sidney Pullen: nascido em Southampton/ING em 14 de julho de 1895, era atacante e chegou ao Brasil no início do século passado quando seu pai foi transferido no emprego da fábrica em que trabalhava. Começou sua carreira de jogador muito jovem, com apenas 15 anos, no extinto Paissandu do Rio de Janeiro, onde conquistou o título carioca em 1912. Com o fim das atividades do clube alvi-anil em 1914, Pullen transferiu-se para o Flamengo e lá também fez história atuando por 10 anos e faturando outros vários troféus. Defendeu também a seleção carioca e a brasileira, esta última entre 1916 e 1917 em cinco jogos e não marcando nenhum gol (participou, inclusive, do primeiro Campeonato Sul-americano de Seleções conforme já citado). Jogou ainda no Fluminense no fim da carreira e faleceu no Rio de Janeiro em data desconhecida na década de 50.

* Casemiro Amaral: goleiro que nasceu em Lisboa/POR no dia 14 de setembro de 1892 e também chegou ao Brasil muito jovem acompanhando seus pais. Começou sua história no futebol com as cores do América/RJ em 1911 e passou ainda pelos paulistas Germânia, Mackenzie e Corinthians, onde encerrou a carreira em 1920. Assim como Pullen, foi convocado para atuar pela seleção brasileira em 1916 para a disputa do Campeonato Sul-americano de Seleções. No selecionado foi titular do gol em 6 jogos, com 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas e 14 gols sofridos até 1917. Casemiro Amaral morreu jovem, aos 47 anos, em São Paulo.

* Francisco Police: dentre os jogadores estrangeiros que já atuaram com a camisa da seleção brasileira o ex-meia do Botafogo é que menos se tem informações. Dados como sua data e cidade de nascimento não são conhecidas. O que se tem conhecimento é que Police era natural da Itália, atuou no clube carioca nas décadas de 10 e 20 e jogou uma única partida pelo Brasil – numa derrota de 1 a 0 em amistoso contra o clube uruguaio Dublin no Rio de Janeiro no dia 27 de janeiro de 1918.

* Marcelo Moreno: o atacante nasceu em Santa Cruz de la Sierra/BOL no dia 17 de junho de 1987 e é filho do ex-meiocampista do Palmeiras Mauro Martins. Iniciou sua carreira no Oriente Petrolero com 16 anos e em 2004 ingressou nas categorias de base do Vitória/BA, onde permaneceu até 2007. Depois foi para o Cruzeiro se notabilizando por ser um dos artilheiros da Taça Libertadores da América de 2008. No mesmo ano transferiu-se para o Shakhtar Donetsk da Ucrânia e ainda passou depois por Werder Bremen/ALE e Wigan/ING por empréstimo. Jogou pela seleção brasileira sub-18 num amistoso contra a Caldense/MG e na Copa Sendai no Japão em 2005; um ano depois fez algumas partidas pela categoria sub-20. Entretanto, em 2007 Moreno optou por defender a seleção principal da Bolívia, onde já atuou em 18 ocasiões e já marcou 8 gols – um deles contra o Brasil que já defendeu nas categorias da base em 2009, na vitória por 2 a 1 pelas Eliminatórias para a Copa de 2010 em La Paz.




Foto 1: Blog "A besta esfolada"
Foto 2: Site oficial do C.R. Flamengo
Foto 3: Globo Esporte